EUA e Irã se aproximam de acordo para encerrar a guerra, diz Casa Branca
Memorando discutido por Washington e Teerã prevê fim da guerra, pausa nuclear e alívio gradual de sanções
247 - A Casa Branca avalia que Estados Unidos e Irã estão próximos de um memorando de entendimento de uma página para encerrar a guerra e estabelecer as bases de uma nova etapa de negociações nucleares, as informações são do Axios. O texto em discussão prevê uma pausa no enriquecimento nuclear iraniano, a suspensão gradual de sanções impostas por Washington e a liberação de bilhões de dólares em recursos iranianos congelados no exterior.
A expectativa do governo do presidente Donald Trump é receber, nas próximas 48 horas, respostas de Teerã sobre pontos considerados centrais da proposta. Fontes ouvidas pelo veículo afirmaram que ainda não há acordo fechado, mas disseram que este é o momento em que as partes chegaram mais perto de um entendimento desde o início da guerra.
O memorando em negociação teria 14 pontos e serviria como um compromisso inicial para declarar o fim da guerra na região. A partir dele, seria aberto um período de 30 dias para tratativas mais detalhadas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, a limitação do programa nuclear iraniano e o levantamento das sanções dos Estados Unidos.
Negociação envolve emissários de Trump
As conversas são conduzidas por Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados de Trump, em contato direto e também por meio de mediadores com autoridades iranianas. Duas fontes afirmaram que Islamabad ou Genebra estão entre os locais considerados para sediar as negociações posteriores ao memorando.
Durante esse período de 30 dias, as restrições impostas pelo Irã à navegação pelo Estreito de Ormuz e o bloqueio naval dos Estados Unidos seriam retirados de forma gradual. Uma autoridade norte-americana afirmou, no entanto, que, caso as negociações fracassem, as forças dos EUA poderiam restabelecer o bloqueio ou retomar ações militares.
A proposta também prevê que os dois lados suspendam restrições relacionadas ao trânsito no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de energia e um dos principais focos de tensão entre Washington e Teerã.
Moratória nuclear ainda está em discussão
Um dos pontos mais sensíveis da negociação é a duração da moratória sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã. Três fontes disseram que a suspensão teria ao menos 12 anos, enquanto outra indicou que 15 anos seria um possível ponto de convergência. Teerã teria proposto uma pausa de cinco anos, enquanto Washington defendeu 20 anos.
Os Estados Unidos também querem incluir uma cláusula segundo a qual qualquer violação iraniana na área de enriquecimento prolongaria automaticamente a moratória. Após o fim do período de suspensão, o Irã poderia enriquecer urânio em baixo nível, até 3,67%.
O memorando incluiria ainda um compromisso de Teerã de nunca buscar uma arma nuclear nem realizar atividades relacionadas à militarização de seu programa. Segundo uma autoridade dos EUA, as partes discutem uma cláusula que impediria o Irã de operar instalações nucleares subterrâneas.
A proposta também prevê um regime de inspeções mais rigoroso, incluindo verificações sem aviso prévio por inspetores das Nações Unidas.
Sanções e recursos congelados entram no pacote
Em contrapartida, Washington se comprometeria, no âmbito do memorando, a iniciar uma suspensão gradual das sanções impostas ao Irã. O texto também incluiria a liberação progressiva de bilhões de dólares pertencentes a Teerã e atualmente congelados em diferentes países.
Duas fontes com conhecimento das negociações afirmaram ainda que o Irã aceitaria retirar do país seu urânio altamente enriquecido, uma prioridade dos Estados Unidos que até agora vinha sendo rejeitada por Teerã. Uma das possibilidades em discussão seria transferir esse material para os EUA.
Apesar do avanço nas conversas, a Casa Branca avalia que a liderança iraniana está dividida, o que pode dificultar a construção de consenso entre diferentes facções internas. Algumas autoridades norte-americanas seguem céticas quanto à possibilidade de um acordo inicial ser efetivamente alcançado.
Rubio vê negociação complexa
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que “não precisamos ter o acordo real escrito em um dia”.
“Isso é altamente complexo e técnico. Mas precisamos ter uma solução diplomática que seja muito clara sobre os temas que eles estão dispostos a negociar e sobre a extensão das concessões que estão dispostos a fazer no início para que valha a pena”, disse Rubio.
O secretário de Estado também fez críticas a integrantes da liderança iraniana, ao afirmar que alguns dos principais dirigentes do país são “insanos da cabeça”, e declarou que ainda não está claro se Teerã aceitará fechar um acordo.
Fontes norte-americanas disseram que a decisão de Trump de recuar de uma operação recém-anunciada no Estreito de Ormuz e evitar o colapso do cessar-fogo frágil foi tomada com base no progresso das negociações. Ainda assim, grande parte dos termos do memorando dependeria de um acordo final, o que mantém aberta a possibilidade de retomada da guerra ou de um impasse prolongado, com o conflito direto suspenso, mas sem solução definitiva.


