EUA planejam reforçar presença nuclear na Europa
Washington discute ampliar presença nuclear em países da Otan para conter crise de confiança entre aliados europeus
247 - Os Estados Unidos avaliam reforçar suas capacidades nucleares na Europa em meio à crise de confiança entre aliados da Otan, após decisões recentes de Washington sobre a redução de tropas no continente.
Segundo a TASS, que cita o jornal britânico Financial Times, o governo de Donald Trump sinalizou disposição para enviar aeronaves de dupla capacidade, conhecidas pela sigla DCA, a outros países europeus integrantes da Otan. Esses aviões podem ser usados tanto em missões convencionais quanto nucleares.
A medida, de acordo com fontes ouvidas pelo Financial Times, teria como objetivo tranquilizar aliados europeus sobre a confiabilidade das garantias de segurança oferecidas por Washington. Apesar das discussões, as conversas ainda não indicam uma mudança iminente nos acordos de compartilhamento nuclear da aliança militar.
O debate ocorre em um momento de crescente preocupação na Europa com decisões recentes dos Estados Unidos envolvendo a retirada ou redução de assistência militar no continente. Países europeus avaliam que medidas unilaterais adotadas por Washington podem fragilizar a percepção de compromisso norte-americano com a defesa coletiva da Otan.
O programa de compartilhamento nuclear da Otan atualmente envolve Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Turquia e Reino Unido, países que podem abrigar aeronaves de dupla capacidade dos Estados Unidos. A iniciativa é um dos pilares da estratégia nuclear da aliança no continente europeu.
Estados localizados na fronteira leste da Otan, entre eles Polônia e países bálticos, também manifestaram interesse em participar do programa. A eventual ampliação, porém, ainda não está próxima de ser concretizada, segundo as fontes citadas pelo Financial Times.
As discussões ganharam força após os Estados Unidos anunciarem planos para retirar 5 mil militares de seu contingente de 38 mil soldados estacionados na Alemanha. Washington também cancelou um rodízio planejado de 4 mil soldados na Polônia.
De acordo com a reportagem, as duas decisões foram tomadas de forma unilateral, sem consulta prévia à Otan. O movimento provocou uma nova onda de desconfiança dentro da organização, especialmente entre países europeus que dependem das garantias militares dos Estados Unidos diante das tensões de segurança no continente.
Embora o envio adicional de aeronaves com capacidade nuclear ainda não represente uma decisão formal, o sinal de Washington busca demonstrar que o governo Trump pretende manter o chamado guarda-chuva nuclear oferecido aos aliados da Otan. A discussão, no entanto, expõe o delicado equilíbrio entre a tentativa de reafirmar compromissos estratégicos e as incertezas geradas pela redução da presença militar norte-americana na Europa.


