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EUA preparam deslocamento de segundo porta-aviões para o Oriente Médio

Movimentação militar ocorre em meio a negociações nucleares com o Irã e aumento da pressão de Washington

Porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford (Foto: Javad Parsa/NTB/via REUTERS)

247 - Os Estados Unidos estão se preparando para reforçar sua presença militar no Oriente Médio com o envio de um segundo grupo de ataque de porta-aviões à região, em meio às tensões com o Irã e às negociações em torno do programa nuclear iraniano. A sinalização foi feita após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhar em sua plataforma Truth Social uma reportagem sobre a mobilização militar.

Segundo a emissora Al Jazeera, que citou inicialmente informações publicadas pelo Wall Street Journal e por outros veículos norte-americanos, o Pentágono determinou que as Forças Armadas organizem um novo grupo de ataque de porta-aviões para se juntar ao USS Abraham Lincoln, que já opera no Oriente Médio.

De acordo com autoridades ouvidas pelo Wall Street Journal, o Departamento de Defesa ordenou os preparativos para o deslocamento do grupo naval adicional. Posteriormente, uma fonte com conhecimento do planejamento confirmou à agência Associated Press que o USS Gerald R. Ford — considerado o maior porta-aviões do mundo — recebeu instruções para deixar o Mar do Caribe e seguir em direção ao Oriente Médio. A informação foi divulgada inicialmente pelo The New York Times. A fonte falou sob condição de anonimato por se tratar de movimentações militares sensíveis.

Com a eventual chegada do USS Gerald R. Ford, os Estados Unidos passariam a manter dois porta-aviões e seus respectivos navios de escolta na região. O USS Abraham Lincoln e três destróieres de mísseis guiados chegaram ao Oriente Médio há mais de duas semanas. 

O envio do segundo porta-aviões ao Oriente Médio faz parte de uma escalada militar. É um recado geopolítico, com a possibilidade real de ataque.

Ao mesmo tempo em que Trump fala em “negociação”, ele reforça a pressão com força naval pesada. Na prática, é diplomacia com o pé no acelerador da guerra.

Do ponto de vista do Irã, isso tende a ser lido como ameaça direta. Do ponto de vista de Israel, funciona como sinal verde ou, no mínimo, cobertura estratégica.

A movimentação ocorre poucas horas após Trump receber o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. Após o encontro, o presidente dos Estados Unidos afirmou que ainda não há definição sobre o desfecho das tratativas com Teerã. “Nada de definitivo foi alcançado, além da minha insistência em que as negociações com o Irã continuem para ver se um acordo pode ou não ser concretizado”, escreveu Trump.

Ele acrescentou: “Se for possível, informarei ao primeiro-ministro que essa será a minha preferência. Caso contrário, teremos que aguardar o resultado.”

Na semana passada, Estados Unidos e Irã realizaram em Omã a primeira rodada de negociações indiretas desde o ano anterior. Tanto Washington quanto Teerã afirmaram que pretendem seguir pela via diplomática, embora novas reuniões ainda não tenham sido oficialmente anunciadas.

Teerã, por sua vez, advertiu Washington sobre possíveis interferências externas no processo. Em entrevista à Al Jazeera, o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, declarou:“Nossas negociações são exclusivamente com os Estados Unidos, não estamos envolvidos em nenhuma conversa com Israel.” Ele acrescentou: “No entanto, Israel se inseriu nesse processo, com a intenção de minar e sabotar essas negociações.”

Trump tem reiterado que busca um acordo que assegure que o Irã não possua armas nucleares nem mísseis. O governo iraniano nega que esteja buscando armas nucleares e descarta concessões sobre seu programa de mísseis. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à Al Jazeera na semana anterior que o programa de mísseis é uma questão de defesa não negociável. .

O presidente dos Estados Unidos também voltou a alertar para a possibilidade de novos ataques caso as negociações fracassem. 

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