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Trump diz que não há acordo definitivo com Netanyahu sobre Irã e que diálogo com o país persa continuará

Até agora fracassa tentativa do primeiro-ministro de Israel de impedir continnuidade do diálogo EUA-Irã

Netanyahu e Trump (Foto: Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (11) que não houve um acordo “definitivo” com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre os próximos passos em relação ao Irã. Após mais de duas horas e meia de conversa a portas fechadas na Casa Branca, Trump reiterou que as negociações com Teerã seguirão em busca de um possível entendimento.

As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que acompanhou os desdobramentos do encontro, o sétimo entre os dois líderes em quase 13 meses. A reunião ocorreu em meio à retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã, depois das negociações nucleares realizadas em Omã na última sexta-feira.

Em publicação nas redes sociais após o encontro, Trump declarou: “Nada de definitivo foi alcançado, além da minha insistência em que as negociações com o Irã continuem para ver se um acordo pode ser concretizado”. Ele acrescentou: “informei ao primeiro-ministro que essa será a minha preferência”. O presidente também advertiu: “Se não for possível, teremos apenas que ver qual será o resultado”, lembrando que, na última vez em que o Irã decidiu não fechar um acordo, os Estados Unidos atingiram instalações nucleares iranianas em junho passado.Netanyahu viajou a Washington com a expectativa de influenciar a próxima rodada de conversas entre Washington e Teerã. Segundo a Reuters, o premiê israelense defendia que qualquer acordo fosse além da questão nuclear e incluísse limitações ao programa de mísseis balísticos do Irã e ao apoio iraniano a grupos armados na região. Após a reunião, o gabinete de Netanyahu informou em comunicado: “O primeiro-ministro enfatizou as necessidades de segurança do Estado de Israel no contexto das negociações, e os dois concordaram em manter sua coordenação estreita e contato próximo.”

O presidente dos Estados Unidos tem feito advertências públicas ao governo iraniano. Em entrevista à Fox Business exibida na terça-feira, afirmou que um bom acordo significaria “Sem armas nucleares, sem mísseis”, mas não detalhou como tais exigências seriam implementadas. À Axios, disse que considerava enviar um segundo grupo de ataque de porta-aviões como parte do reforço militar norte-americano nas proximidades do Irã.

Teerã, por sua vez, rejeita vincular seu programa de mísseis às negociações nucleares. O conselheiro do líder supremo iraniano, Ali Shamkhani, declarou nesta quarta-feira: “As capacidades de mísseis da República Islâmica são inegociáveis”. O governo iraniano sustenta que suas atividades nucleares têm finalidade pacífica e afirma estar disposto a discutir limites ao programa nuclear em troca do alívio de sanções, mas descarta ampliar o escopo das tratativas.

O encontro na Casa Branca ocorreu sem a presença da imprensa no Salão Oval, diferentemente de visitas anteriores de Netanyahu. A viagem, inicialmente prevista para 18 de fevereiro, foi antecipada em meio ao novo engajamento diplomático entre Estados Unidos e Irã.

A Faixa de Gaza também esteve na pauta. Trump afirmou após a reunião: “Discutimos o enorme progresso que está sendo feito em Gaza e na região de modo geral.” O presidente tenta avançar com um acordo de cessar-fogo que ajudou a articular, mas o plano de 20 pontos para encerrar a guerra e reconstruir o território palestino enfrenta impasses, incluindo divergências sobre o desarmamento do Hamas e a retirada gradual de tropas israelenses.

Embora Washington continue sendo o principal fornecedor de armas de Israel e mantenha alinhamento estratégico com o governo israelense, há diferenças em temas centrais. Parte do plano de Trump para Gaza prevê a possibilidade de um futuro Estado palestino, proposta historicamente rejeitada por Netanyahu e por sua coalizão. Nesta semana, o presidente reiterou sua oposição à anexação da Cisjordânia por Israel, após decisão do gabinete de segurança israelense que ampliou medidas relacionadas à aquisição de terras por colonos no território ocupado.

As conversas entre Estados Unidos e Irã devem ter novas rodadas em breve, segundo indicaram ambas as partes após o encontro em Omã, enquanto a tensão regional permanece elevada diante da possibilidade de escalada militar caso a via diplomática fracasse.

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