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Europa prepara resposta a possível ofensiva dos EUA na Groenlândia

França, Alemanha e aliados discutem reação conjunta às declarações de Donald Trump sobre o território que pertence a Dinamarca

Groenlândia (Foto: Reuters)

247 - Governos europeus intensificaram articulações diplomáticas para definir uma resposta conjunta diante da possibilidade de os Estados Unidos avançarem com planos para assumir o controle da Groenlândia. A mobilização ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomar publicamente suas ambições sobre o território no Ártico, o que elevou o grau de alerta entre aliados europeus e membros da Otan.

De acordo com a agência Reuters, França e Alemanha estão entre os países que lideram as conversas para coordenar uma reação política e diplomática. Uma eventual anexação da Groenlândia por forças estadunidenses, território autônomo ligado à Dinamarca, provocaria forte impacto na aliança militar ocidental e ampliaria o distanciamento entre Washington e as capitais europeias.

Europa reage às ambições dos Estados Unidos

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, afirmou que o tema seria tratado em reunião com seus homólogos da Alemanha e da Polônia. “Queremos agir, mas queremos fazê-lo em conjunto com os nossos parceiros europeus”, declarou em entrevista à rádio France Inter, ao defender uma postura coordenada diante das declarações de Donald Trump.

Em Berlim, uma fonte do governo alemão confirmou que o país mantém diálogo estreito com outros aliados e com a Dinamarca. Segundo essa fonte, a Alemanha está “trabalhando em estreita colaboração com outros países europeus e com a Dinamarca nos próximos passos em relação à Groenlândia”.

Coordenação entre França, Alemanha e aliados

Um alto funcionário europeu, falando sob condição de anonimato, avaliou que a Dinamarca deve assumir a liderança na articulação da resposta, mas reconheceu que ainda há indefinições. “Os dinamarqueses ainda não comunicaram aos seus aliados europeus que tipo de apoio concreto desejam receber”, afirmou.

Nos últimos dias, líderes de potências europeias e do Canadá manifestaram apoio público à Groenlândia, reforçando que a ilha pertence ao seu povo. As declarações vieram após nova ameaça de Donald Trump de assumir o controle do território, retomando uma ideia apresentada pela primeira vez em 2019, durante seu primeiro mandato.

Debate chega à OTAN

Na Finlândia, o presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento, Johannes Koskinen, defendeu que a questão seja levada formalmente à OTAN. Para ele, os aliados devem “avaliar se algo precisa ser feito e se os Estados Unidos devem ser alinhados, no sentido de que não podem ignorar planos acordados em conjunto para perseguir suas próprias ambições de poder”. O tema deve ganhar espaço na próxima reunião do Conselho do Atlântico Norte, marcada para quinta-feira (8).

Trump retoma interesse estratégico pela Groenlândia

Donald Trump voltou a sustentar que deseja obter controle sobre a Groenlândia, argumentando que a ilha é essencial para a estratégia militar dos Estados Unidos e alegando que a Dinamarca não teria garantido proteção suficiente ao território. A Casa Branca confirmou que o presidente discute opções para adquirir a ilha, inclusive o uso de força militar, apesar da oposição europeia.

Jean-Noel Barrot relatou ter tratado do assunto diretamente com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e afirmou que a hipótese de uma operação militar foi afastada. “Eu mesmo estive ao telefone com o secretário de Estado ontem (...), e ele descartou a ideia de que o que acabou de acontecer na Venezuela pudesse acontecer na Groenlândia”, disse o chanceler francês.

A preocupação aumentou após uma operação militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, episódio que reacendeu temores de um cenário semelhante no Ártico. Ainda assim, um alto funcionário estadunidense afirmou que Trump e seus assessores avaliam diferentes formas de adquirir a Groenlândia, incluindo uma eventual compra. Tanto a Groenlândia quanto a Dinamarca reiteraram que o território não está à venda.

Dinamarca contesta narrativa sobre Rússia e China

Diante da escalada de tensões, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e a chanceler da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram uma reunião urgente com Marco Rubio. Em publicação nas redes sociais, Rasmussen escreveu: “Gostaríamos de acrescentar alguma nuance à conversa. A troca de gritos deve ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora”.

A Groenlândia, maior ilha do mundo, com cerca de 57 mil habitantes, não é membro independente da OTAN, mas está coberta pela adesão da Dinamarca à aliança. Sua posição entre a Europa e a América do Norte a torna estratégica para o sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos, além de atrair interesse por suas reservas minerais.

Donald Trump também tem afirmado que embarcações russas e chinesas estariam operando nas águas ao redor da Groenlândia, versão contestada por Copenhague. “A imagem que está sendo pintada de navios russos e chineses bem dentro do fiorde de Nuuk e de investimentos chineses maciços não está correta”, afirmou Rasmussen a jornalistas. Dados de rastreamento naval citados na reportagem indicam que não há presença de navios russos ou chineses nas proximidades da ilha.

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