Rubio diz que Trump quer comprar a Groenlândia
Plano do presidente dos EUA mira controle estratégico do Ártico sem confronto com a Dinamarca, diz o secretário de Estado
247 - O controle da Groenlândia voltou ao centro das atenções da política externa dos Estados Unidos após movimentações recentes do presidente do país, Donald Trump. Segundo informações divulgadas nesta semana, o republicano reuniu integrantes do alto escalão do governo para discutir caminhos que permitam aos EUA assumir o comando da ilha, hoje sob soberania da Dinamarca, sem recorrer a um conflito armado entre aliados.
De acordo com o The New York Times, o plano prioritário do presidente dos Estados Unidos é negociar a compra da Groenlândia, deixando a hipótese de uso das Forças Armadas apenas como um dos cenários avaliados.
A possibilidade foi confirmada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Em encontro com parlamentares republicanos, realizado na segunda-feira (5), Rubio afirmou que Donald Trump solicitou aos assessores a elaboração de propostas concretas para a aquisição do território. A estratégia, segundo o governo, busca evitar um confronto direto com a Dinamarca, que também integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Na terça-feira (6), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que o governo analisa “diversas possibilidades” para ampliar a influência dos Estados Unidos sobre a Groenlândia. Apesar de não descartar nenhuma alternativa, a administração Trump enfatiza que a preferência é por uma solução política e diplomática.
O tema ganhou ainda mais visibilidade no fim de semana, após Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicar nas redes sociais uma imagem da Groenlândia sobreposta pela bandeira norte-americana. A postagem repercutiu amplamente e reacendeu o debate sobre as reais intenções do atual presidente dos Estados Unidos em relação à ilha.
Valor estratégico no Ártico
O interesse de Donald Trump pela Groenlândia não é recente. Durante seu mandato anterior, o republicano já havia manifestado publicamente a intenção de anexar o território aos Estados Unidos. De volta à Casa Branca, o presidente retomou o discurso, argumentando que o controle da ilha é essencial para conter adversários estratégicos na região polar.
Localizada em uma área central do Ártico, a Groenlândia é vista como peça-chave na disputa geopolítica entre grandes potências. Os Estados Unidos mantêm na ilha uma base militar dedicada à defesa antimísseis, considerada fundamental para o monitoramento de possíveis ameaças vindas do hemisfério norte.
Com o avanço das mudanças climáticas e o derretimento do gelo, o Ártico passa por uma transformação acelerada. Rotas marítimas antes inacessíveis começam a se abrir, criando novos corredores comerciais e militares entre o Atlântico e o Polo Norte. Esse cenário amplia o interesse estratégico pela região e intensifica a competição internacional.
Além da posição geográfica, a Groenlândia abriga vastas reservas de minerais de terras raras, essenciais para setores de alta tecnologia, como a produção de baterias, celulares e veículos elétricos. Atualmente, esse mercado é amplamente dominado pela China. Estudos também indicam potencial significativo para exploração de petróleo e gás na plataforma continental da ilha.
Barreiras jurídicas e políticas
Apesar do discurso confiante do presidente dos Estados Unidos, que chegou a afirmar haver “uma boa chance” de a Groenlândia ser incorporada “sem força militar”, o caminho para uma eventual anexação é considerado altamente complexo. Uma intervenção armada violaria princípios centrais da Otan e provocaria forte reação internacional, já que Dinamarca e Estados Unidos são membros fundadores da aliança.
Do ponto de vista interno, a Groenlândia possui autonomia desde 1979 e, desde 2009, tem o direito de realizar referendos sobre sua independência. No entanto, áreas como política externa e defesa permanecem sob responsabilidade do governo dinamarquês, enquanto a economia local depende fortemente de subsídios enviados por Copenhague.
Esse conjunto de fatores torna improvável qualquer mudança rápida no status do território, mesmo diante da pressão política exercida por Donald Trump e seu governo.



