Líderes europeus reforçam apoio à Groenlândia contra Trump
Autoridades da Europa cobram respeito à soberania da Groenlândia e alertam para riscos à OTAN diante de ameaças do presidente dos Estados Unidos
247 - Autoridades europeias manifestaram, na terça-feira (6), apoio explícito à Groenlândia diante das novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar controle do território semiautônomo ligado à Dinamarca. A reação coordenada envolveu chefes de governo e representantes políticos do continente, que destacaram a necessidade de respeito à soberania nacional e à integridade territorial, princípios centrais do sistema internacional e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
O posicionamento foi formalizado em uma declaração conjunta assinada por países como França, Alemanha e Reino Unido, ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. O documento ressalta que a segurança no Ártico — região considerada estratégica pela OTAN — só pode ser assegurada com base nos valores previstos na Carta das Nações Unidas, incluindo soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras.
No texto, os signatários afirmam de forma direta: “A Groenlândia pertence ao seu povo”. Em seguida, destacam que cabe exclusivamente à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobre assuntos relacionados ao território. A declaração também lembra que a Groenlândia integra a área de atuação da OTAN, aliança militar da qual os Estados Unidos fazem parte, o que tornaria qualquer ação unilateral um fator de grave instabilidade interna.
As manifestações ocorrem em meio à intensificação do discurso de Donald Trump, que voltou a defender publicamente a tomada da Groenlândia. No domingo (4), ao falar com jornalistas a bordo do avião presidencial, o presidente dos Estados Unidos afirmou: “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”.
A Groenlândia ocupa posição central nas disputas geopolíticas do Ártico, região onde grandes potências buscam ampliar influência estratégica. O território abriga reservas relevantes de minerais de terras raras, essenciais para a produção de baterias, celulares e outras tecnologias, além de sua localização estratégica próxima às rotas polares.
Na segunda-feira (5), o discurso da Casa Branca ganhou novo tom com declarações de Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump. Em entrevista à CNN, ao ser questionado sobre a possibilidade de uso de força militar, Miller evitou descartar o cenário e declarou: “Ninguém vai lutar militarmente contra os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia”. Em outro momento, acrescentou: “Vivemos em um mundo real, Jake, que é governado pela força, governado pelo poder”.
Na Europa, as declarações provocaram crescente apreensão. Mette Frederiksen afirmou, na segunda-feira (5), que as ameaças devem ser levadas a sério e advertiu que qualquer tentativa de anexação colocaria em risco o próprio futuro da OTAN, ao violar compromissos fundamentais da aliança.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, declarou em Varsóvia, na terça-feira (6), que o tema deve influenciar reuniões europeias sobre a segurança da Ucrânia. “A Dinamarca pode contar com a solidariedade de toda a Europa”, afirmou a jornalistas.
O apoio internacional à Groenlândia também se estendeu ao Canadá. Na terça-feira (6), o primeiro-ministro Mark Carney anunciou medidas diplomáticas após encontros em Paris com Mette Frederiksen e com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Carney informou que a ministra das Relações Exteriores canadense, Anita Anand, e a governadora-geral Mary Simon visitarão a Groenlândia em fevereiro, quando será inaugurado um consulado do Canadá no território.
Em resposta às manifestações de apoio, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, agradeceu publicamente a solidariedade europeia e fez um apelo direto aos Estados Unidos. Em nota oficial, ele pediu que Washington “busque um diálogo respeitoso por meio dos canais diplomáticos e políticos corretos”, acrescentando que as ameaças da administração Trump colocam em xeque “princípios internacionais muito básicos”.



