Europa reage a ameaças tarifárias de Trump sobre querer anexar a Groenlândia
Alemanha, França, Reino Unido e União Europeia defendem soberania e indicam resposta coordenada às ameaças dos EUA
247 - Governos da Alemanha, da França, do Reino Unido e as principais autoridades da União Europeia reagiram de forma contundente às ameaças de imposição de tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países europeus que mantêm presença militar na Groenlândia. As informações são da RT Brasil.
As declarações foram interpretadas como uma tentativa de pressão política e econômica em meio às reiteradas manifestações de interesse de Washington sobre o território estratégico no Ártico. Segundo autoridades do continente, a iniciativa estadunidense representa um risco à estabilidade das relações transatlânticas e à soberania dos países envolvidos.
Europa rejeita intimidação econômica dos Estados Unidos
O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou que Berlim “tomou nota das declarações do presidente estadunidense” e destacou que o país mantém “estreitas consultas com seus parceiros europeus”. Segundo ele, os países do bloco poderão preparar “as respostas adequadas a seu devido tempo”, conforme informou a imprensa alemã.
Macron e Starmer criticam tarifas e defendem unidade europeia
Na França, o presidente Emmanuel Macron classificou as ameaças tarifárias como “inaceitáveis”. Em publicação na rede social X, declarou que “nenhuma intimidação nem ameaça poderá nos influir” e afirmou que a Europa responderá “de maneira unida e coordenada” caso as medidas sejam confirmadas. Macron ressaltou ainda que a participação francesa em exercícios na Groenlândia está ligada à “segurança no Ártico e nos limites da Europa”.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também criticou a iniciativa. Em comunicado citado pela BBC, afirmou que a Groenlândia “faz parte do Reino da Dinamarca” e que “impor tarifas a aliados por reforçarem a segurança coletiva da Otan é completamente errôneo”. Starmer acrescentou que tratará do tema “diretamente com a administração norte-americana”.
Comissão Europeia alerta para riscos às relações transatlânticas
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que a adoção de tarifas desse tipo “mina as relações transatlânticas” e pode levar a “uma perigosa espiral descendente”. Em mensagem no X, reiterou que a integridade territorial e a soberania são princípios “essenciais” para a Europa e garantiu que o bloco permanecerá “unido, coordenado e comprometido com a defesa de sua soberania”.
Groenlândia no centro de tensões geopolíticas no Ártico
Donald Trump tem insistido publicamente que pretende incorporar a Groenlândia ao território dos EUA. Segundo ele, a presença de embarcações de diversas nações na região exigiria maior atenção estratégica. “Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa”, declarou. A afirmação foi contestada pelo ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, que rebateu a narrativa ao afirmar que não é verdadeira a alegação sobre a presença de navios chineses na área.
Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções do governo norte-americano e reforçaram que a soberania do território deve ser respeitada. Apesar disso, integrantes da administração Trump indicaram que não descartam a via militar para assumir o controle da ilha. Outra possibilidade em estudo seria um acordo nos moldes do Pacto de Livre Associação, que concederia aos Estados Unidos direitos exclusivos de acesso às águas territoriais e ao espaço aéreo, em troca de assistência econômica e financeira.
Em resposta às recentes declarações de Washington, líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que “cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito”.
No dia 15 de janeiro, França, Alemanha, Suécia e Noruega anunciaram a participação em uma missão militar europeia conjunta na Groenlândia. Os países enviarão tropas para uma operação coordenada após sucessivas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle do território, que integra o Reino da Dinamarca e é protegido pela Otan.


