Ex-chefe do Mossad denuncia violência contra palestinos na Cisjordânia e compara ataques de colonos ao Holocausto
Tamir Pardo diz sentir “vergonha de ser judeu” ao testemunhar a violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia
247 - A violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia foi comparada aos ataques sofridos por judeus durante o Holocausto pelo ex-chefe do Mossad, Tamir Pardo. A declaração foi feita na segunda-feira (28), durante visita a vilarejos palestinos atingidos por agressões recentes. As informações são da RT.
Segundo Pardo, os episódios testemunhados no território ocupado provocaram forte reação pessoal. "O que vi hoje me fez sentir vergonha de ser judeu", afirmou. Ele também disse que as cenas lembraram perseguições do século passado, destacando que sua mãe foi sobrevivente do Holocausto.
A Cisjordânia é um território ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e reivindicado pelos palestinos como parte de um futuro Estado. Ao longo dos anos, governos israelenses apoiaram ou toleraram assentamentos ilegais na região.
Escalada de violência
As declarações ocorrem em meio ao aumento de ataques de colonos contra comunidades palestinas. Testemunhas e organizações de direitos humanos relatam invasões frequentes, incêndio de casas e veículos, destruição de propriedades e agressões a moradores.
Em um dos episódios mais recentes, dois palestinos morreram após disparos próximos a uma escola, incluindo um adolescente de 14 anos. Dados da organização Yesh Din apontam que, entre 28 de fevereiro e 8 de abril, foram registrados 378 incidentes, com oito mortos e cerca de 200 feridos.
Riscos de agravamento
Pardo afirmou que a continuidade dessas ações, somada à ausência de medidas eficazes por parte do governo israelense, pode gerar consequências graves. Segundo ele, o cenário atual cria condições para novos ataques de grande escala semelhantes aos registrados em outubro de 2023 no sul de Israel.
Na ocasião, uma ação liderada pelo Hamas deixou cerca de 1.200 mortos e resultou no sequestro de aproximadamente 250 pessoas. Após o evento, Israel promoveu um genocídio na Faixa de Gaza, que, segundo autoridades palestinas de saúde, já provocou mais de 72 mil mortes e mais de 172 mil feridos.
Para o ex-chefe do Mossad, a violência na Cisjordânia pode levar a um novo episódio de grande impacto, possivelmente com características ainda mais complexas devido à dinâmica da região.



