General iraniano adverte EUA e ameaça resposta “nunca vista” após alertas de Trump no Oriente Médio
Porta-voz das Forças Armadas do Irã diz que qualquer ação “imprudente” terá “golpes esmagadores”
247 – Um alto comandante militar do Irã elevou o tom contra Washington e advertiu que qualquer iniciativa “imprudente” dos Estados Unidos no Oriente Médio poderá desencadear uma reação “que vocês nunca experimentaram antes na sua história”. A declaração ocorre em meio a uma nova escalada de tensões, impulsionada por ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por reforços militares ordenados por Washington.
Segundo a agência iraniana Tasnim News, o porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, general Abolfazl Shekarchi, fez o alerta na quinta-feira, descrevendo a postura militar americana na região como uma combinação de “guerra psicológica, chantagem e intimidação”.
Alerta de Teerã e prontidão militar
Nas declarações divulgadas, Shekarchi afirmou que as forças iranianas estão em “alto estado de alerta” e acompanham de perto movimentos militares dos EUA e de seus aliados regionais, incluindo o regime israelense. Ele sustentou que Teerã mantém capacidade defensiva e ofensiva suficiente para responder a provocações e que a vigilância é permanente.
Em uma das passagens centrais, o general descreveu o monitoramento das forças americanas e do que chamou de “regime sionista” e afirmou que o país permanece preparado para reagir. “As forças armadas da República Islâmica do Irã, apoiadas em suas capacidades defensivas e ofensivas e no apoio do povo corajoso, unido e resiliente do país, estão monitorando todos os movimentos do exército dos EUA e do regime sionista na região com grande cuidado e total prontidão”, declarou.
Shekarchi também tentou desqualificar as ameaças do presidente dos Estados Unidos, descrevendo a retórica como “postura vazia” e “fantasia”, na avaliação apresentada pela agência iraniana.
“Vocês nunca experimentaram antes”: ameaça de resposta “decisiva”
O porta-voz militar afirmou que, se autoridades americanas fossem “sábias e racionais” e compreendessem plenamente as “verdadeiras capacidades militares” do Irã, evitariam falar em guerra. Ele acrescentou que qualquer ação provocativa por forças americanas — ou por grupos associados — acionaria uma reação imediata.
Na formulação divulgada, Shekarchi disse que uma iniciativa hostil levará a uma resposta contundente. “Qualquer ação provocativa de forças americanas ou de grupos afiliados vai desencadear uma resposta decisiva e golpes esmagadores da República Islâmica do Irã”, afirmou.
O general também declarou que, em caso de agressão, a resposta iraniana atingiria diretamente a infraestrutura militar e os interesses dos EUA no Oriente Médio. “Soldados americanos e seus equipamentos serão destruídos, e todos os recursos e interesses dos EUA na região estarão dentro do alcance de fogo das forças iranianas”, acrescentou.
Ao mesmo tempo, Shekarchi procurou enquadrar a posição do país como defensiva, sem abrir mão da ameaça de retaliação. “Já provamos que não somos belicistas, mas não temos medo da guerra, e defenderemos o país e os interesses da querida nação iraniana com força”, disse.
Escalada com Trump e a mensagem do Estado da União
As declarações do general ocorrem após repetidas ameaças do presidente Donald Trump contra Teerã e em um ambiente de crescente militarização. De acordo com o texto fornecido, Trump determinou novos deslocamentos militares, incluindo o envio de um porta-aviões adicional, milhares de tropas, aeronaves de combate e destróieres equipados com mísseis guiados, segundo autoridades americanas.
O ponto de inflexão mais recente, ainda segundo as informações apresentadas, foi o discurso do Estado da União, proferido por Trump em 24 de fevereiro de 2026, diante de uma sessão conjunta do Congresso. No trecho dedicado ao Irã, o presidente combinou uma disposição agressiva com a afirmação de que preferiria uma solução diplomática — mas reiterou que não aceitará um Irã com arma nuclear.
No discurso, Trump afirmou: “Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: eu nunca permitirei que o patrocinador número um do terror no mundo, que eles são de longe, tenha uma arma nuclear”.
De acordo com o texto base, Trump acusou o Irã de retomar ambições nucleares “sinistras” apesar de ataques anteriores dos EUA, reiterou que não permitirá que o país se torne uma potência nuclear e apontou avanços em mísseis como ameaça crescente. O presidente também vinculou o tema a negociações em curso, dizendo que o Irã “quer fazer um acordo”, mas ainda não teria pronunciado as “palavras secretas” que, segundo ele, significariam renúncia permanente a armas nucleares.
Disputa de narrativas sobre o programa nuclear e “grandes mentiras”
Pelo lado iraniano, as declarações de Trump foram rejeitadas. Segundo o texto fornecido, o Irã classificou as afirmações como “grandes mentiras”, especialmente no que diz respeito à ideia de reconstrução nuclear após ataques.
A tensão atual também se conecta a episódios anteriores mencionados no material: Trump teria falado, no início do ano, sobre “outra bela armada” de navios de guerra em direção ao Irã e afirmou que a ausência de um acordo levaria a consequências “muito piores” do que os ataques considerados ilegais, em junho de 2025, contra instalações nucleares iranianas.
Esses elementos compõem um cenário em que Washington procura manter pressão máxima, enquanto Teerã responde com ameaças de dissuasão militar e com a mensagem de que está preparada para ampliar a resposta se houver novos ataques.
Oriente Médio sob risco de choque militar
O conjunto de declarações evidencia um ambiente de instabilidade, no qual gestos militares e retórica beligerante podem elevar rapidamente a probabilidade de confronto. De um lado, o governo Trump sinaliza que pode recorrer à força caso a via diplomática fracasse. Do outro, o Irã afirma que qualquer ação americana terá custo imediato e ampliado, atingindo tropas, equipamentos e interesses dos EUA no Oriente Médio.
Ao afirmar que a presença militar dos Estados Unidos na região representa “guerra psicológica, chantagem e intimidação”, Shekarchi tenta enquadrar os movimentos de Washington como pressão política e midiática — e, ao mesmo tempo, anuncia que a resposta iraniana, se acionada, seria abrangente.
Sem adicionar elementos além do que foi relatado, o quadro descrito aponta para uma escalada de linguagem e de mobilização militar, com efeitos potenciais para a segurança regional, para o equilíbrio de forças no Oriente Médio e para o próprio ritmo das negociações envolvendo o programa nuclear iraniano.


