Governo Trump descumpre prazo e retém arquivos do caso Epstein
Democratas acusam Casa Branca de esconder arquivos ligados a Jeffrey Epstein
247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou expirar o prazo legal para a liberação de arquivos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, ampliando as críticas sobre a condução das investigações e a transparência do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Até o momento, segundo o UOL, o órgão não apresentou justificativa pública para o descumprimento da determinação judicial.
No início de janeiro, o Departamento de Justiça informou que ainda analisava mais de dois milhões de arquivos possivelmente ligados a Epstein, indicando que o material se encontrava em diferentes etapas de revisão.
Departamento de Justiça ignora prazo judicial
Em carta enviada a um juiz federal em 6 de janeiro, o Departamento de Justiça afirmou que os documentos estavam “em diferentes fases de revisão”, sem indicar uma data para a conclusão do processo. Desde então, nenhuma nova manifestação oficial foi apresentada, mesmo após o vencimento do prazo legal estabelecido pela Justiça. Segundo parlamentares democratas, a demora reforça a falta de transparência do governo Trump em relação a um dos casos mais sensíveis da história recente dos Estados Unidos.
Democratas acusam Casa Branca de ocultar documentos
Integrantes do Partido Democrata passaram a acusar diretamente o governo Trump de tentar manter sob sigilo arquivos que poderiam revelar conexões entre o presidente dos Estados Unidos e o financista. Em publicação feita na rede social X, um comitê do partido declarou que “Trump e Pam Bondi [procuradora-geral dos EUA] querem mantê-las escondidas, mas não descansaremos até termos todos os arquivos. Divulguem os arquivos, AGORA”.
De acordo com o comitê, até agora foram divulgados cerca de 12.285 documentos, que somam mais de 125 mil páginas. Esse volume representa menos de 1% do total de arquivos que seguem sob análise do Departamento de Justiça.
Divulgação parcial gera indignação de vítimas
A condução do caso pelo governo Trump também provocou reação de vítimas de Epstein. No ano passado, a divulgação de registros com extensos trechos censurados e imagens ocultadas gerou indignação entre mulheres que denunciaram abusos cometidos pelo financista, reforçando cobranças por maior transparência. As críticas se intensificaram após a confirmação de que fotos relevantes para a investigação foram retiradas do material tornado público.
Governo defende retirada de imagens da investigação
O vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, defendeu a atuação do Departamento de Justiça e a decisão de remover imagens do conjunto de documentos, incluindo ao menos uma fotografia que mostrava Donald Trump. Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC, Blanche afirmou: “Havia preocupações com essas mulheres e com o fato de termos colocado essa foto. Então, retiramos essa foto. Não tem nada a ver com o presidente”. Ex-advogado pessoal de Trump, Blanche sustentou que a decisão teve como objetivo proteger as vítimas envolvidas no caso.


