Guerra EUA-Irã ameaça economia global, diz Banco Mundial
Banco Mundial prevê crescimento global de 2,5% em 2026, menor ritmo desde a COVID-19, com alta do petróleo e inflação
247 - O Banco Mundial reduziu sua previsão para a economia global em 2026 e passou a estimar crescimento de 2,5%, o menor ritmo desde a pandemia de COVID-19, em meio aos impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã, à alta do petróleo, ao avanço da inflação e ao encarecimento do crédito, segundo informações da Al Jazeera.
A revisão consta do relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026. A instituição sediada em Washington havia projetado em janeiro uma expansão de 2,9% para a economia mundial neste ano, mas cortou a estimativa em 0,4 ponto percentual diante do agravamento das pressões sobre energia, cadeias de suprimentos e custos financeiros.
Impacto da guerra no Oriente Médio
De acordo com o Banco Mundial, o conflito no Oriente Médio já impõe custos econômicos significativos e pode piorar caso as interrupções no fornecimento de energia se ampliem. O relatório aponta que o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã segue sendo testado por ambos os lados, o que mantém elevado o risco de nova escalada.
Um dos principais fatores de preocupação é o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em resposta às hostilidades iniciadas pelos Estados Unidos e por Israel. A passagem é considerada vital para o trânsito internacional de petróleo e gás. Com a interrupção, as cadeias globais de energia e outros suprimentos passaram a sofrer forte pressão.
Petróleo Brent deve atingir média de US$ 94
O Banco Mundial estima que o petróleo Brent, referência internacional do setor, terá preço médio de US$ 94 por barril neste ano. O valor representa alta de 36% em relação à média registrada no ano passado.
A elevação dos custos de energia também deve afetar outros setores. O relatório prevê aumento significativo nos preços dos fertilizantes em 2026, com efeitos posteriores sobre os alimentos. Com isso, a inflação global deve subir para 4% neste ano, acima dos 3,3% observados no ano passado.
A instituição alerta, no entanto, que o cenário pode se deteriorar de forma mais intensa. Caso as interrupções no fornecimento de energia se agravem, o crescimento global poderá cair para apenas 1,3% neste ano, enquanto a inflação mundial poderia atingir 4,4%.
Países em desenvolvimento estão mais vulneráveis
O relatório também chama atenção para a situação dos países em desenvolvimento, considerados os mais expostos aos efeitos econômicos do conflito. Desde janeiro, o Banco Mundial revisou para baixo suas projeções de crescimento para dois terços dos países analisados.
A expectativa é que a economia global volte a acelerar em 2027, com crescimento de 2,8%. Ainda assim, esse desempenho permaneceria 0,4 ponto percentual abaixo da média registrada na década de 2010, período marcado pela recuperação da economia mundial após a crise financeira global.
Excluindo China e Índia, o Banco Mundial demonstrou preocupação com o baixo avanço dos países em desenvolvimento na redução da distância de renda per capita em relação às nações ricas ao longo da última década.
“Os países em desenvolvimento enfrentaram uma série de desafios na última década”, disse Ajay Banga, presidente do Grupo Banco Mundial. “O impacto varia de país para país, mas o teste fundamental é o mesmo: proteger as pessoas e preservar a estabilidade hoje, sem abrir mão do crescimento e dos empregos amanhã.”
Banco Mundial promete apoio financeiro
Diante do impacto econômico da guerra no Oriente Médio, o Banco Mundial afirmou que pretende auxiliar países em desenvolvimento afetados pelas consequências do conflito. A instituição informou ter reservado até US$ 60 bilhões para essa finalidade.
O organismo também sinalizou que, se a guerra persistir, poderá ampliar o apoio para US$ 100 bilhões. A medida busca conter os efeitos da crise sobre estabilidade econômica, empregos, renda e segurança alimentar nos países mais vulneráveis.



