Trump vê acordo próximo para encerrar guerra com o Irã, enquanto permanecem as tensões
Presidente dos EUA diz que pacto pode ser assinado no fim de semana, mas Teerã afirma que negociação não está concluída
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (11), que um acordo para encerrar a guerra com o Irã pode ser assinado já neste fim de semana, enquanto Teerã declarou que ainda revisa os termos do pacto e não tomou uma decisão final sobre a proposta.
Reportagem da Reuters assinala que a expectativa de avanço diplomático elevou as esperanças de paz entre Irã e Estados Unidos nesta sexta-feira (12), em meio à persistente tensão no Estreito de Ormuz e aos reflexos do conflito nos mercados globais.
Segundo a Reuters, o eventual acordo seria o passo mais relevante até agora para tentar pôr fim à guerra de três meses, que já deixou milhares de mortos e provocou forte alta nos preços internacionais da energia após o Irã praticamente fechar a passagem estratégica à navegação.
“Acabamos de chegar a um ótimo acordo para encerrar a guerra com o Irã”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca na quinta-feira.
O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que o Estreito de Ormuz será reaberto oficialmente após a assinatura do acordo. “O estreito será oficialmente aberto assim que assinarmos o acordo, o que pode acontecer em breve, muito em breve, talvez durante o fim de semana na Europa”, declarou Trump, acrescentando que o vice-presidente JD Vance participaria da cerimônia de assinatura.
Questionado se o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, havia aprovado os termos, Trump respondeu: “Entendo que a resposta seja sim”.
Apesar do tom otimista de Washington, Teerã adotou cautela. A mídia iraniana informou que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que grande parte do acordo já foi finalizada, mas ressaltou que o país não abrirá mão de suas linhas vermelhas.
“Ainda não chegamos a uma conclusão definitiva sobre este assunto”, afirmou Baghaei. “Trata-se de uma questão muito importante que está sendo analisada pelos órgãos decisórios competentes”.
Desde meados de março, Trump tem afirmado repetidamente que um acordo com o Irã para encerrar a guerra estava próximo. Nos últimos dias, porém, os dois lados trocaram ataques, aumentando a pressão sobre o cessar-fogo anunciado em abril.
Mercados reagem à possibilidade de acordo
A possibilidade de uma solução diplomática impulsionou os mercados nesta sexta-feira. As ações asiáticas acompanharam a forte alta global, enquanto os preços do petróleo caíram para mínimas de dois meses diante da expectativa de que um acordo de paz possa reduzir a pressão sobre o fornecimento de energia.
Mesmo assim, a tensão no Estreito de Ormuz continuou elevada. Um oficial americano afirmou que forças dos Estados Unidos abateram dois drones de ataque unidirecional iranianos depois que Teerã tentou atingir navios comerciais que passavam pela importante rota marítima.
A mídia estatal iraniana, por sua vez, informou que o Exército do país impediu um petroleiro de atravessar o estreito. Também foram relatados sons de explosões na manhã de sexta-feira.
O anúncio de Trump ocorreu depois de o presidente dos Estados Unidos cancelar ataques militares planejados contra o Irã, citando progresso nas negociações.
“É um memorando de entendimento muito forte, que é um pouco conceitual”, disse Trump a jornalistas.
Exigências nucleares e sanções no centro das negociações
Trump afirmou reiteradamente que qualquer acordo de paz deve impedir o Irã de desenvolver uma arma nuclear. Teerã nega buscar esse tipo de armamento.
“O ponto principal é que não haverá armas nucleares no Irã. Isso significa não desenvolvidas e não compradas”, declarou Trump posteriormente, durante um evento de campanha realizado por telefone.
Entre as exigências iranianas estão o levantamento de sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de seu controle sobre o Estreito de Ormuz.
Antes de anunciar o avanço nas conversas, Trump havia dito na quinta-feira que os Estados Unidos atacariam o Irã “muito duramente esta noite” e que pretendiam, eventualmente, tomar a ilha de Kharg, centro da infraestrutura petrolífera iraniana.
A guerra também se tornou um problema político para a Casa Branca. Pesquisas citadas pela reportagem mostram queda nos índices de aprovação de Trump, em meio à insatisfação dos eleitores com os preços elevados da gasolina.
Alguns republicanos manifestaram preocupação de que a impopularidade da guerra possa prejudicar o partido nas eleições legislativas de novembro. Ao mesmo tempo, Trump enfrenta pressão de setores mais duros do Partido Republicano, que defendem que qualquer acordo bloqueie completamente o caminho de Teerã para desenvolver armas nucleares.
Israel diz não ser parte do memorando
A reação de outras potências do Oriente Médio será considerada decisiva para o futuro do pacto. Trump afirmou nas redes sociais que o acordo foi aprovado por países como Israel, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no entanto, afirmou em comunicado, após conversa entre o líder israelense e Trump, que Israel não é parte do memorando de entendimento com o Irã.
Segundo o resumo divulgado, Netanyahu expressou apreço pelo compromisso de Trump em buscar um acordo que inclua a remoção de material enriquecido, o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento, a limitação da produção de mísseis e o fim do apoio a aliados regionais.
Teerã exige o fim dos ataques israelenses no Líbano, onde os combates continuam em uma guerra paralela entre Israel e o Hezbollah, movimento apoiado pelo Irã.
Enquanto Washington tenta apresentar o memorando como um avanço diplomático, a posição cautelosa de Teerã e a persistência de incidentes no Estreito de Ormuz indicam que a assinatura do acordo ainda depende de decisões políticas sensíveis em meio a uma escalada militar que permanece sem solução definitiva.



