Guerra na Ucrânia completa hoje quatro anos
Conflito completa quatro anos com a Rússia mantendo cerca de 20% do território ucraniano e impasse sobre território e garantias
247 - A Operação Militar Especial russa na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, completa quatro anos nesta terça-feira (24), com grande vantagem militar russa, mas sem desfecho claro e com sinais de prolongamento do conflito. No campo de batalha, a Rússia segue controlando uma fatia significativa do território ucraniano.
De acordo com a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU/OHCHR) e análises de centros de pesquisa que acompanham a guerra, o período recente foi marcado por agravamento do impacto sobre civis, ataques persistentes à infraestrutura energética e manutenção do impasse político sobre os termos de um possível acordo.
Quatro anos após o início da ofensiva, a Rússia ocupa aproximadamente 20% do território ucraniano, segundo monitoramentos compilados pelo Council on Foreign Relations (CFR). O quadro descrito por analistas é o de uma guerra de atrito: avanço terrestre limitado, alto consumo de recursos e alternância de pressão militar com iniciativas diplomáticas que, até aqui, não produziram um acordo abrangente.
O balanço humanitário segue como o dado mais contundente destes quatro anos. A HRMMU informa que a ONU verificou mais de 15 mil civis mortos e mais de 41 mil civis feridos desde fevereiro de 2022 (até 31 de janeiro de 2026), ressaltando que o total real tende a ser maior.
O relatório também aponta que 2025 registrou piora expressiva: pelo menos 2.526 civis morreram e 12.162 ficaram feridos no ano, um patamar 31% superior ao de 2024. A escalada foi associada, entre outros fatores, ao aumento do uso de armas de longo alcance e à intensificação de ataques com drones de curto alcance em áreas de linha de frente.
A infraestrutura energética tornou-se alvo recorrente do conflito, com efeitos diretos no cotidiano. A HRMMU afirma que, até janeiro de 2026, a Ucrânia havia perdido mais da metade da capacidade de geração de eletricidade que possuía antes do início da guerra, com impacto severo no fornecimento de energia, aquecimento e água durante o inverno de 2025–2026.
Diplomacia: impasse sobre território e garantias
No eixo político, o principal nó continua sendo a sequência e o conteúdo das concessões: de um lado, Moscou mantém a ênfase em exigências territoriais; de outro, Kíev insiste em garantias de segurança e rejeita ceder áreas como condição para encerrar a guerra.
O CFR registra que a atual tentativa de negociação envolve uma proposta de paz em discussão sob mediação dos Estados Unidos, agora liderados por Donald Trump, mas com termos ainda descritos como pouco claros, especialmente no que diz respeito a concessões territoriais e ao formato de garantias de segurança.
Perspectiva para 2026: pressão militar e incerteza política
Avaliações recentes do Institute for the Study of War (ISW) indicam que a Rússia continua a preparar novas fases de pressão militar, enquanto analistas observam limitações de reservas e dificuldades para produzir uma mudança decisiva no terreno sem custos elevados.
Com o conflito entrando no quinto ano, o balanço dos quatro anos se consolida como o de uma guerra prolongada.


