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Negociações de paz entre Ucrânia e Rússia terminam sem acordo em Genebra

Zelensky classifica reuniões como difíceis, acusa Moscou de atrasar avanço e critica pressão dos EUA por concessões

Rustem Umerov (Foto: Reuters/Cecile Mantovani)

247 - As negociações de paz entre Ucrânia e Rússia foram encerradas nesta quarta-feira (18), em Genebra, após cerca de duas horas de reunião, sem anúncio de avanços concretos para o fim da guerra que já dura quatro anos, segundo a agência Reuters. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os encontros foram “difíceis” e acusou Moscou de retardar deliberadamente o progresso das tratativas.

Os diálogos ocorreram ao longo de dois dias na Suíça, sob mediação dos Estados Unidos, em um contexto de pressão pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente indicou que caberia a Kiev assegurar o sucesso das conversas.

Logo após o término das reuniões, Zelensky declarou a jornalistas, por meio de um grupo no WhatsApp: “Podemos ver que houve progresso, mas, por enquanto, as posições diferem porque as negociações foram difíceis”. Mais cedo, ele já havia acusado a Rússia de “tentar arrastar negociações que já poderiam ter chegado à fase final”.

O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, avaliou que o segundo dia de debates foi “intenso e substancial”. Segundo ele, ambas as partes trabalham na formulação de decisões que poderão ser submetidas aos respectivos presidentes.

Pelo lado russo, o principal negociador, Vladimir Medinsky — ex-ministro da Cultura e assessor do Kremlin — declarou a repórteres que novas rodadas de negociação serão realizadas em breve, sem informar uma data específica.

Pressão pública de Donald Trump

O ambiente das conversas foi influenciado por declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista ao site Axios, publicada na terça-feira (17), Zelensky afirmou que considerava “injusto” que Trump estivesse cobrando publicamente concessões da Ucrânia, e não da Rússia, nas negociações para um plano de paz.

Na véspera, Trump declarou a jornalistas: “A Ucrânia precisa ir à mesa rapidamente. É tudo o que estou dizendo”.

Ainda na entrevista ao Axios, Zelensky advertiu que qualquer plano que obrigue a Ucrânia a abrir mão de territórios que não tenham sido capturados pela Rússia na região leste de Donbas seria rejeitado pela população em eventual referendo. Sobre a postura de Trump, acrescentou: “Espero que seja apenas uma tática dele e não a decisão”.

Pedido por maior participação europeia

Autoridades ucranianas têm defendido maior envolvimento dos aliados europeus nas negociações. Antes das reuniões desta quarta-feira, Zelensky afirmou que essa participação era “indispensável”. Países como França, Alemanha e Reino Unido vêm manifestando apoio à posição de Kiev.

As conversas em Genebra ocorrem poucos dias antes do quarto aniversário da invasão russa em larga escala, iniciada em fevereiro de 2022. Desde então, centenas de milhares de pessoas morreram, milhões foram deslocadas e diversas cidades ucranianas sofreram destruição significativa. Moscou nega ter como alvo deliberado civis.

Divergências persistem

Segundo Umerov, o primeiro dia de reuniões concentrou-se em “questões práticas e nos mecanismos de possíveis decisões”, sem detalhar o conteúdo das discussões. Agências de notícias russas, citando uma fonte, relataram que os encontros da terça-feira foram “muito tensos” e se estenderam por seis horas, em formatos bilaterais e trilaterais.

Antes do início das negociações, Umerov já havia sinalizado cautela quanto às expectativas, afirmando que a delegação ucraniana trabalhava “sem expectativas excessivas”.

O encontro em Genebra sucede duas rodadas anteriores mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, que também terminaram sem avanços significativos, diante de divergências profundas sobre temas centrais, como o controle de territórios no leste da Ucrânia.

Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes da região de Donbas tomadas antes da ofensiva em larga escala de 2022. Ataques recentes contra a infraestrutura energética deixaram centenas de milhares de ucranianos sem aquecimento e eletricidade em meio ao inverno rigoroso.

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