Índia amplia compras de petróleo, armas e aviões dos EUA
Pacto anunciado por Washington prevê redução de tarifas, abertura agrícola parcial e compras que podem chegar a US$ 500 bilhões
247 - A Índia concordou em ampliar a compra de petróleo, bens de defesa e aeronaves dos Estados Unidos, além de abrir parcialmente o acesso ao seu setor agrícola, historicamente protegido. O entendimento faz parte de um acordo comercial anunciado após meses de tensões entre Nova Déli e Washington e tem como objetivo destravar fluxos de comércio e investimentos entre as duas maiores democracias do mundo.
Segundo a agência Reuters, o anúncio foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que informou na segunda-feira (2), a redução das tarifas norte-americanas sobre produtos indianos de 50% para 18%. Em contrapartida, a Índia se comprometeu a suspender a compra de petróleo russo, reduzir barreiras comerciais e ampliar a aquisição de produtos americanos.
De acordo com Trump, as compras indianas de bens dos EUA podem alcançar até US$ 500 bilhões, abrangendo áreas como energia, carvão, tecnologia e produtos agrícolas. Um funcionário do governo indiano, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Nova Déli concordou em adquirir produtos americanos também nos setores de telecomunicações e farmacêutico, além de oferecer acesso ao mercado para alguns itens agrícolas como parte dos compromissos do acordo.
A abertura agrícola, segundo o mesmo funcionário, segue uma estratégia já adotada recentemente pela Índia em negociações com a União Europeia, quando o país ofereceu acesso seletivo ao seu mercado agrícola no âmbito de outro acordo comercial. Para atender a demandas imediatas de Washington e concluir a primeira etapa do pacto, a Índia também reduziu tarifas sobre carros importados.
“O compromisso de comprar produtos americanos abrange setores como o farmacêutico, telecomunicações, defesa, petróleo e aeroespacial. Isso será feito ao longo dos anos”, disse o funcionário à Reuters. Ele acrescentou que um acordo mais amplo entre os dois países deverá ser negociado nos próximos meses.
Dados oficiais indicam que as exportações indianas para os Estados Unidos cresceram 15,88% na comparação anual, somando US$ 85,5 bilhões entre janeiro e novembro, enquanto as importações totalizaram US$ 46,08 bilhões no mesmo período.
O anúncio do acordo teve impacto imediato nos mercados. Em evento realizado em Nova Déli, a secretária de Assuntos Econômicos da Índia, Anuradha Thakur, afirmou que o entendimento reduziu de forma significativa a incerteza global e fortaleceu a confiança dos investidores. O principal índice acionário do país, o Nifty 50, avançou quase 3%, enquanto a rupia se valorizou mais de 1%, chegando a 90,40 por dólar no início do pregão.
Ao comentar o novo patamar tarifário, um representante do governo indiano destacou: “The 18% tariff offered to India is lower than its Asian peers and comes right in time as exporters are still negotiating annual contracts with their U.S. customers.” Atualmente, as tarifas dos EUA sobre produtos da Indonésia estão em 19%, enquanto Vietnã e Bangladesh enfrentam alíquotas de 20%.
Para o setor exportador indiano, o acordo tende a melhorar a competitividade. “Tarifas mais baixas não apenas melhorarão a competitividade de preços, como também ajudarão os exportadores indianos a se integrarem de forma mais profunda às cadeias de suprimentos dos Estados Unidos”, disse S.C. Ralhan, presidente da Federação das Organizações de Exportação da Índia
Em nota divulgada nesta terça-feira (3), a Moody’s Ratings avaliou que a redução das tarifas americanas sobre a maioria dos produtos indianos deve revitalizar as exportações do país asiático para o mercado norte-americano.


