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Invasor do Capitólio que recebeu perdão de Trump é sentenciado à prisão perpétua por abuso sexual infantil

Andrew Paul Johnson foi considerado culpado em fevereiro por cinco acusações criminais

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - Um homem da Flórida que recebeu perdão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua participação no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 foi condenado à prisão perpétua por abuso sexual infantil. Andrew Paul Johnson, de 45 anos, foi sentenciado na quinta-feira (5), após ter sido considerado culpado em fevereiro por cinco acusações criminais. As informações são do jornal O Globo.

Entre os crimes estão a molestação de uma criança menor de 12 anos e outra menor de 16, exposição obscena e envio eletrônico de material considerado prejudicial a menor, segundo promotores do Quinto Circuito Judicial da Flórida. De acordo com registros judiciais, Johnson foi preso em julho de 2025 depois que o escritório do xerife do condado de Hernando recebeu uma denúncia informando que duas crianças teriam sido vítimas de atos lascivos durante vários meses.

Ao chegarem a uma residência em Brooksville, cerca de 80 quilômetros ao norte de Tampa, policiais foram informados pela mãe de uma das vítimas de que as duas crianças relataram ter sido tocadas de forma inapropriada por Johnson. Uma das vítimas afirmou aos investigadores que os abusos começaram por volta de abril de 2024, quando tinha 11 anos. Documentos do processo indicam ainda que Johnson tentou silenciar uma das crianças dizendo que receberia "US$ 10 milhões" do governo Trump como compensação para réus relacionados aos eventos de 6 de janeiro e que deixaria parte do valor para a vítima em testamento.

Segundo os registros judiciais, autoridades acreditam que essa promessa era usada como forma de impedir que as crianças revelassem os abusos. Promotores também afirmam que o acusado comprava presentes e alimentos para uma das vítimas na tentativa de evitar que o caso fosse denunciado. Durante a investigação, agentes encontraram diversas mensagens sexualmente explícitas trocadas entre Johnson e uma das vítimas na plataforma Discord. De acordo com o escritório do promotor estadual, "nas mensagens, Johnson tentava fazer a vítima baixar outro aplicativo para uma conversa mais privada e a encorajava a apagar as mensagens anteriores".

Participação no ataque ao Capitólio

Antes da condenação por abuso sexual, Johnson já havia sido responsabilizado judicialmente por seu envolvimento na invasão do Capitólio dos Estados Unidos, ocorrida em 6 de janeiro de 2021. Em agosto de 2024, ele foi condenado a um ano de prisão após admitir ter entrado e permanecido em prédio restrito e por conduta desordeira. Segundo promotores federais, Johnson participou do comício "Stop the Steal", realizado próximo à Casa Branca, e seguiu até o Capitólio carregando um megafone, dizendo: "Temos um trabalho a cumprir!".

Registros do tribunal apontam que ele entrou no prédio escalando uma janela de escritório quebrada e incentivou outros manifestantes a segui-lo. Imagens do episódio o mostram dentro do edifício gritando: "Não conquistamos nada ainda! Precisamos passar por aquela porta! Não acabamos por aqui!".

Após retornar à presidência em 2025, Trump concedeu perdões ou comutou penas para mais de 1.500 pessoas acusadas de participação no ataque ao Capitólio. O presidente afirmou que a decisão buscava iniciar "um processo de reconciliação nacional". Uma análise divulgada em dezembro de 2025 pela organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington indicou que ao menos 33 pessoas beneficiadas por perdões ou medidas de clemência voltaram a ser presas, acusadas ou condenadas por novos crimes desde então.

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