Irã aceita cessar-fogo de duas semanas e reduz tensões no Oriente Médio
Trégua mediada pelo Paquistão abre caminho para negociações e alívio no Estreito de Hormuz
247 - O Irã aceitou um cessar-fogo de duas semanas proposto pelo Paquistão, com previsão de garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Hormuz, em meio à escalada militar com os Estados Unidos e Israel.
A informação foi publicada pelo The New York Times, em reportagem da jornalista Farnaz Fassihi nesta terça-feira (7), com base em declarações de autoridades iranianas. Segundo as fontes, o acordo foi aprovado pelo líder supremo do país, aiatolá Mojtaba Khamenei.
O entendimento foi anunciado poucas horas antes do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia condicionado a suspensão de ataques à liberação da navegação na região. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o acordo depende da “abertura COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Hormuz”.
A proposta de cessar-fogo foi apresentada pelo governo do Paquistão, que atuou como mediador entre as partes. O plano prevê que, durante duas semanas, o Irã permita a circulação de embarcações de petróleo, gás e outros produtos pelo estreito, uma das principais rotas energéticas do mundo.
De acordo com três autoridades iranianas citadas pela reportagem, a aceitação ocorreu após esforços diplomáticos intensos e intervenção da China, aliada de Teerã, que pressionou por redução das tensões. As fontes também mencionaram preocupações com os impactos econômicos causados por danos à infraestrutura.
Antes do anúncio, havia incerteza sobre a continuidade das negociações. Em determinado momento, o Irã interrompeu o diálogo indireto após ameaças de ataques a instalações críticas, como usinas de energia e pontes.
Trump afirmou, ainda durante o dia, que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar”, ao mencionar a possibilidade de novos ataques. Ele também declarou esperar que “algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer”.
Nas horas que antecederam o prazo final, Estados Unidos e Israel intensificaram ações militares contra o Irã, enquanto o Paquistão ampliava sua atuação diplomática para viabilizar a trégua.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que as negociações estavam “avançando de forma constante, forte e poderosa, com potencial para levar a resultados substanciais”, e defendeu a abertura do Estreito de Hormuz durante o período.
O embaixador iraniano no Paquistão declarou que a diplomacia deu “um passo à frente” após um momento “crítico e sensível”.
Ao longo da terça-feira (7), moradores no Irã se mobilizaram em torno de instalações estratégicas, diante do risco de novos ataques, segundo imagens divulgadas por meios locais.
A trégua estabelece uma pausa temporária no conflito iniciado no fim de fevereiro, mas não resolve as divergências centrais entre as partes.


