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Irã acusa Trump de bloquear negociações

Cessar-fogo continua frágil e tensão cresce no Oriente Médio

EUA-Irã (Foto: Prensa Latina )

247 - O Irã acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de dificultar as negociações de paz ao manter um bloqueio naval que impede avanços diplomáticos e sustenta o fechamento do Estreito de Ormuz. Mesmo com a prorrogação de uma trégua considerada frágil, autoridades iranianas afirmam que a continuidade das sanções e ações militares compromete qualquer possibilidade de acordo duradouro.

As informações foram divulgadas pela rede Al Jazeera, que detalhou as declarações de autoridades iranianas e norte-americanas sobre o impasse. Segundo a reportagem, líderes iranianos responsabilizam Washington pelo agravamento da crise e condicionam qualquer avanço nas negociações ao fim do bloqueio.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que não há condições para um cessar-fogo completo enquanto persistirem as restrições impostas pelos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, ele declarou: “Um cessar-fogo completo só faz sentido se não for violado pelo bloqueio marítimo e pela tomada da economia mundial como refém, e se a beligerância sionista em todas as frentes for interrompida”.

Ghalibaf também ressaltou que a reabertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento das condições acordadas. “Reabrir o Estreito de Ormuz é impossível com uma violação tão flagrante do cessar-fogo”, escreveu. Ele acrescentou ainda que Estados Unidos e Israel “não alcançaram seus objetivos por meio de agressão militar, nem os alcançarão por meio de intimidação”.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou o discurso ao defender que o diálogo deve prevalecer sobre a pressão. “A República Islâmica do Irã acolheu o diálogo e o acordo e continua a fazê-lo”, afirmou. Em tom crítico, ele acrescentou: “A quebra de compromissos, o bloqueio e as ameaças são os principais obstáculos a negociações genuínas. O mundo vê sua retórica hipócrita interminável e a contradição entre suas alegações e ações”.

O embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, afirmou que a suspensão do bloqueio é condição essencial para a retomada do diálogo. “Não iniciamos a agressão militar. Eles iniciaram a guerra contra nós, e estamos preparados. Se eles quiserem sentar à mesa, discutir e encontrar uma solução política, encontrarão em nós uma alternativa”, disse a jornalistas.

Do lado americano, Trump não estabeleceu prazo para o fim da trégua, mas indicou que o cerco marítimo continuará sendo usado como instrumento de pressão. Em publicação, declarou: “As pessoas me procuraram há quatro dias dizendo: ‘Senhor, o Irã quer abrir o Estreito imediatamente’. Mas se fizermos isso, nunca poderá haver um acordo com o Irã, a menos que destruamos o resto do país deles, incluindo seus líderes”.

A Casa Branca reforçou essa posição. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que o presidente dos Estados Unidos está satisfeito com os efeitos do bloqueio. “Ele entende que o Irã está em uma posição muito fraca, e as cartas estão nas mãos do presidente Trump agora”, disse.

Leavitt também rejeitou informações sobre um suposto prazo para o fim da trégua, destacando que apenas Trump decide o cronograma da guerra.

O cenário atual é de instabilidade. Segundo o correspondente da Al Jazeera em Teerã, Ali Hashem, o país vive uma situação de “nem guerra, nem paz”. “As sanções continuam. O bloqueio está aí. Ninguém pode planejar a próxima semana ou a seguinte. As empresas estão apenas esperando para ver como essa guerra vai terminar”, relatou.

A Casa Branca também declarou que a capacidade militar iraniana foi severamente reduzida durante o conflito. Segundo Leavitt, “a base industrial de defesa do Irã foi quase completamente destruída” e o país sofreu um grande retrocesso na produção de mísseis e drones.

Apesar dessas afirmações, o Irã manteve ataques diários com mísseis contra Israel ao longo da guerra, evidenciando que o conflito segue longe de uma solução definitiva.

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