Irã reforça controle do Estreito de Ormuz após recuo dos EUA
Impasse em negociações de cessar-fogo amplia tensões no Golfo
247 - O Irã reforçou o controle do Estreito de Ormuz após o recuo dos Estados Unidos em novos ataques, em meio a um impasse nas negociações de cessar-fogo que mantém elevada a tensão na região do Golfo. A situação agrava a incerteza sobre a trégua e impacta diretamente o fluxo global de petróleo.
De acordo com a agência Reuters, forças iranianas apreenderam duas embarcações na estratégica via marítima, enquanto autoridades de Teerã criticaram a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de manter o bloqueio naval ao comércio iraniano.
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que um cessar-fogo pleno só será possível com o fim do bloqueio. Segundo ele, a reabertura do Estreito de Ormuz não pode ocorrer sob a violação do cessar-fogo.
“Vocês não alcançaram seus objetivos por meio de agressão militar e também não os alcançarão por meio de intimidação”, declarou Qalibaf. “O único caminho é reconhecer os direitos do povo iraniano.”
A trégua de duas semanas, que deveria ter terminado no início da semana, segue sem definição clara. Apesar de Trump ter anunciado a extensão do cessar-fogo, autoridades iranianas não confirmaram concordância com a medida. O bloqueio naval imposto pelos EUA continua sendo considerado por Teerã como um ato de guerra.
No campo militar, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica informou ter apreendido os navios Epaminondas, com bandeira da Libéria, e MSC Francesca, com bandeira do Panamá. Segundo autoridades iranianas, ambas as embarcações operavam sem as autorizações necessárias e teriam manipulado sistemas de navegação. Um terceiro navio foi alvo de disparos, mas não sofreu danos e seguiu viagem.
Autoridades americanas classificaram a ação iraniana como “pirataria”, embora tenham afirmado que não houve violação direta do cessar-fogo, já que os navios não pertenciam aos Estados Unidos nem a Israel.
O bloqueio liderado por Washington também se intensificou. Segundo fontes militares, mais de 30 embarcações foram redirecionadas ou impedidas de seguir viagem. Além disso, petroleiros iranianos foram interceptados em águas asiáticas próximas à Índia, Malásia e Sri Lanka.
O impacto econômico já é visível. O petróleo tipo Brent voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril, refletindo a preocupação com a interrupção do fluxo energético global.
No campo diplomático, não há avanço significativo. O Paquistão atua como mediador, mas as negociações permanecem paralisadas. Nenhuma nova data foi definida para retomar as negociações. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que não há prazo estabelecido para a apresentação de propostas ou conclusão das conversas.
As exigências das partes seguem distantes. Os Estados Unidos pressionam pelo fim do enriquecimento de urânio por parte do Irã, enquanto Teerã insiste na suspensão de sanções, compensações por danos e reconhecimento de seu controle sobre o Estreito de Ormuz. Além disso, o Irã condiciona qualquer acordo à implementação de um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.
Enquanto isso, novos episódios de violência continuam sendo registrados. Ataques israelenses no Líbano deixaram mortos, incluindo uma jornalista, evidenciando a fragilidade da trégua regional e a dificuldade de avançar para uma solução diplomática.


