Tucker Carlson pede desculpas por apoio a Trump e diz que "enganou" público
Ex-apresentador afirma que será “atormentado por muito tempo” após admitir erro ao apoiar o ex-presidente dos EUA
247 - O ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson declarou, em vídeo divulgado nesta terça-feira (21), que se arrepende de ter apoiado o ex-presidente Donald Trump e pediu desculpas por ter “enganado” o público. Durante participação em seu próprio programa, ele afirmou que o episódio o marcará por longo período e reconheceu responsabilidade pessoal e coletiva na situação atual.
Segundo reportagem da NBC News, Carlson fez um mea-culpa ao refletir sobre o papel que ele e outros apoiadores tiveram na ascensão e nas decisões políticas de Trump. “Eu acho que é um momento para confrontarmos nossas próprias consciências”, disse. “Sabe, seremos atormentados por isso por muito tempo. Eu serei, e quero dizer que sinto muito por ter enganado as pessoas. Não foi intencional.”
No programa “The Tucker Carlson Show”, em entrevista ao seu irmão, Buckley Carson, o comentarista destacou que sua atuação foi além de simples apoio retórico. “Estamos implicados nisso, com certeza”, afirmou. Ele acrescentou que mudar de opinião agora não é suficiente diante das consequências. “Não basta dizer: ‘Bem, eu mudei de ideia’ ou ‘isso é ruim, estou fora’. De maneiras muito pequenas, mas reais, você e eu e milhões de pessoas como nós somos a razão disso estar acontecendo agora.”
As declarações ocorrem em meio a divisões no campo conservador dos Estados Unidos, especialmente em torno da condução de Trump na guerra envolvendo o Irã. O ex-presidente enfrenta queda em índices de aprovação em seu segundo mandato, com aumento da insatisfação popular em temas como inflação e custo de vida.
A reação de Trump foi dura. Em publicação de 9 de abril na rede Truth Social, ele afirmou que Carlson e outros ex-aliados críticos têm “baixo QI”. “São pessoas estúpidas, eles sabem disso, suas famílias sabem disso e todo mundo também sabe!”, escreveu. Em entrevista ao New York Post, Trump voltou a atacar o ex-apresentador, dizendo que ele “não tem absolutamente nenhuma ideia do que está acontecendo”.
Carlson não é o único ex-apoiador a romper com Trump nos últimos meses. Figuras da direita norte-americana, como o teórico da conspiração Alex Jones e a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, chegaram a defender a aplicação da 25ª Emenda para afastar o presidente. Carrie Prejean Boller, ex-integrante de uma comissão ligada à administração Trump, chamou o ex-presidente de “psicopata maligno” em rede social, enquanto a influenciadora Candace Owens classificou o governo como “satânico”.
Críticas também surgiram entre influenciadores digitais. O podcaster Joe Rogan afirmou, em março, que parte da base trumpista se sentiu “traída” pela guerra, enquanto Theo Von questionou se o conflito beneficia a população norte-americana.
Apesar de ter sido um dos mais firmes defensores de Trump, Carlson vinha adotando postura mais crítica durante o segundo mandato, sobretudo em relação à política externa. Ele chegou a pedir que assessores militares rejeitassem qualquer plano de ataque a civis iranianos e classificou como “repugnante em todos os níveis” uma publicação de Trump que sugeria ações agressivas contra o Irã.
Carlson deixou a Fox News em 2023, pouco após a emissora concordar em pagar US$ 787,5 milhões para encerrar um processo por difamação movido pela empresa Dominion Voting Systems.


