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Irã acusa Trump de incitação ao terrorismo após ameaças de escalada na guerra

Teerã denuncia na ONU que declarações de Trump sobre destruir pontes e usinas configuram incitação ao terrorismo e crime de guerra

Embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, na sede da entidade em Nova York 13/06/2025 (Foto: REUTERS/Eduardo Munoz)

247 - O governo do Irã denunciou na Organização das Nações Unidas (ONU) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando-o de incitação ao terrorismo após ameaças de destruir pontes e usinas de energia do país. Segundo Teerã, as falas sobre possíveis ataques à infraestrutura civil configuram grave violação do direito internacional e suscitam riscos humanitários significativos.

As informações foram divulgadas pela emissora HispanTV, que detalhou as cartas enviadas pelo embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, ao secretário-geral da organização e ao presidente do Conselho de Segurança. Nos documentos, o diplomata criticou duramente a retórica de Trump, publicada na plataforma Truth Social, na qual o líder norte-americano afirmou que todas as pontes e centrais elétricas iranianas poderiam ser destruídas em um prazo determinado.

De acordo com Iravani, “esse tipo de declaração constitui um exemplo de incitação direta ao terrorismo e demonstra a intenção de cometer crimes de guerra segundo o direito internacional”. O embaixador ressaltou que ataques deliberados contra civis e infraestruturas não militares, como instalações de energia, violam normas fundamentais do direito internacional humanitário.

O diplomata iraniano também fez uma crítica contundente ao teor das ameaças ao afirmar que “até mesmo grupos terroristas como o Daesh teriam vergonha de fazer declarações tão descaradas e chocantes”. Ele alertou ainda que ações desse tipo podem provocar graves consequências humanitárias, especialmente caso atinjam serviços essenciais à população.

A denúncia ocorre em meio a tensões crescentes na região, agravadas por declarações de Trump no fim de semana, quando o presidente norte-americano estabeleceu um novo prazo para que o Irã reabra totalmente o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo e gás mundial. A via permanece parcialmente fechada. 

Iravani também criticou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), apontando que a inação do órgão teria contribuído para encorajar ações hostis contra o país persa. Diante do cenário, ele pediu que a ONU e seus Estados-membros condenem “veementemente” as ameaças, classificando-as como potencial “ato de terrorismo de Estado e um exemplo de crime de guerra”.

O representante iraniano solicitou ainda que a comunidade internacional adote “medidas imediatas, decisivas e concretas” para impedir novas ações militares e garantir a responsabilização dos envolvidos. Segundo ele, a falta de resposta pode enfraquecer o sistema internacional e contribuir para a normalização de violações graves.

O embaixador advertiu que “o silêncio e a inação diante dessas violações do direito internacional podem enfraquecer o sistema internacional, minar a Carta da ONU e contribuir para a normalização de crimes de guerra, além de encorajar os agressores a cometerem novos crimes”.

Nos últimos meses, infraestruturas civis iranianas, incluindo estradas, pontes e instalações energéticas, foram atingidas por bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Em resposta, o Irã afirmou que não tolerará novos ataques e que qualquer nova agressão será respondida com força ampliada.

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