Irã afirma nova fase na gestão do estreito de Ormuz após cessar-fogo
Nova fase na gestão do estreito de Ormuz é anunciada pela Guarda Revolucionária
247 - A Força Naval da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou que a gestão do Estreito de Ormuz entrou em uma nova fase, após a implementação de um cessar-fogo temporário entre Irã e Estados Unidos, mediado pelo Paquistão. A declaração ocorre em meio a mudanças no cenário geopolítico da região e ao impacto direto sobre uma das principais rotas marítimas de energia do mundo.
A informação foi divulgada pela emissora HispanTV, com base em comunicado publicado nas redes sociais pela IRGC na sexta-feira (10), dois dias após o início da trégua. Segundo o texto, “os dois dias de silêncio no confronto militar demonstraram claramente, tanto para amigos quanto para inimigos, que a gestão do Estreito de Ormuz entrou em uma nova fase”.
A afirmação reforça declarações feitas anteriormente pelo líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Seyed Mojtaba Khamenei, que havia indicado que o país pretende elevar o nível de controle sobre a estratégica passagem marítima. O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio global de petróleo e gás.
O contexto da declaração está relacionado à guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israeliiciaram a agressão ilegal. Em resposta, forças iranianas realizaram cerca de 100 operações com mísseis e drones, atingindo alvos em territórios ocupados por Israel e bases militares norte-americanas na região.
Durante o período de escalada, o Irã também impôs restrições à navegação no estreito, bloqueando a passagem de petroleiros e navios de gás ligados a países considerados adversários ou aliados desses. A medida foi justificada por Teerã como necessária para garantir a segurança da rota marítima.
Em paralelo, autoridades iranianas indicaram a criação de rotas alternativas para o trânsito marítimo, ampliando o controle sobre a circulação na região. A iniciativa ocorre enquanto os Estados Unidos tentaram articular uma coalizão internacional para reabrir o corredor estratégico, solicitando apoio de países da OTAN. A maioria dos aliados, no entanto, não aderiu ao pedido de envio de forças militares.
No cenário diplomático, a Coreia do Sul anunciou o envio de um emissário especial ao Irã para avaliar a situação no Oriente Médio, decisão tomada após diálogo entre representantes de alto nível dos dois países.
Para o porta-voz da Associação de Exportadores de Petróleo do Irã, Hamid Hoseini, a aceitação de condições propostas por Teerã sobre segurança e estrutura jurídica do Estreito de Ormuz pode representar um avanço relevante. Segundo ele, esse entendimento, incorporado ao acordo de cessar-fogo, pode configurar uma das conquistas diplomáticas mais significativas das últimas décadas.
Ainda que o estreito permanecesse formalmente aberto antes do conflito, analistas internacionais avaliam que as novas condições estabelecidas podem favorecer o Irã no controle e na influência sobre essa rota estratégica.


