Irã descarta cessar-fogo e fala em ‘defesa e retaliação’ contra EUA e Israel
Governo iraniano reafirma posição após eleição de Mojtaba Khamenei e acusa Washington de buscar petróleo do país
247 - O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (9) que não considera a possibilidade de um cessar-fogo no atual conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel. Segundo autoridades iranianas, a prioridade do país neste momento é manter ações de “defesa e retaliação” diante da continuidade dos ataques militares.
A posição foi expressa pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, durante uma coletiva de imprensa realizada no dia seguinte à eleição de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país.
Ao ser questionado sobre uma eventual interrupção das hostilidades, Baghaei descartou a hipótese e afirmou que, enquanto os ataques persistirem, a postura iraniana permanecerá focada na resposta militar. “Não faz sentido falar de nada além de defesa e retaliação contra os inimigos”, declarou.
Acusações contra os Estados Unidos
Durante a mesma entrevista, o porta-voz iraniano acusou os Estados Unidos de terem interesse direto nos recursos energéticos do Irã. Segundo Baghaei, Washington estaria buscando enfraquecer o país para ter acesso ao petróleo iraniano.
Ele afirmou que “não há dúvidas” de que o objetivo norte-americano envolve o controle dos recursos petrolíferos do país, além de uma tentativa de fragmentar o território iraniano.
Eleição do novo líder supremo
As declarações marcam o primeiro posicionamento público do governo iraniano após a eleição de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã. Ele é filho de Ali Khamenei, que ocupava o cargo anteriormente.
Ali Khamenei morreu em 28 de fevereiro após bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, episódio que desencadeou a atual escalada militar no Oriente Médio.
Críticas à Europa
Baghaei também responsabilizou alguns países europeus pelo agravamento do conflito. Entre eles, mencionou a França, acusando governos europeus de terem contribuído para o cenário que permitiu a ofensiva militar contra o Irã.
Segundo o porta-voz, “Países europeus que infelizmente ajudaram a criar essas condições. (...) Em vez de insistir no império da lei, em vez de resistir ao assédio e aos excessos dos EUA, falaram e se mostraram de acordo com eles no Conselho de Segurança da ONU no debate sobre o restabelecimento das sanções [contra o Irã], e tudo isso encorajou os norte-americanos e os sionistas a continuarem cometendo seus crimes”.
Guerra chega ao décimo dia
O conflito entrou no décimo dia nesta segunda-feira e já se expandiu para diferentes regiões do Oriente Médio. Em resposta às ofensivas dos Estados Unidos e de Israel, o Irã lançou ataques retaliatórios contra diversos países da região.
Sob a liderança de Mojtaba Khamenei, Teerã também manteve ataques aéreos contra países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares norte-americanas, ampliando as tensões em uma área estratégica para o mercado global de energia.

