Irã diz que ações militares dos EUA fracassaram e o mesmo vai ocorrer com pressões diplomáticas
Diplomata iraniano afirma que guerra dos EUA e Israel não atingiram objetivos e não garantirão vantagem em diálogos
247 - A avaliação de que a pressão militar dos Estados Unidos e de Israel não produziu os resultados esperados e tampouco deve se traduzir em ganhos diplomáticos foi reiterada por autoridades iranianas. O embaixador do Irã na Rússia, Kazem Jalali, afirmou que as tentativas de enfraquecer o país não tiveram sucesso e não alterarão o equilíbrio em eventuais negociações.
Em entrevista ao jornal russo Vedomosti, repercutida pela Al Jazeera, Jalali afirmou que os objetivos iniciais de Washington e seus aliados não foram alcançados. “Eles afirmaram que poderiam conquistar todo o Irã em poucos dias e promover uma mudança de regime”, declarou. “A pergunta é: em qual dessas tarefas eles obtiveram sucesso? Em nenhuma. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã fracassaram.”
O diplomata destacou que, ao longo do conflito, houve mudanças nas demandas norte-americanas. Segundo ele, as exigências foram gradualmente reduzidas diante das dificuldades enfrentadas no terreno. “No início, eles queriam uma mudança de regime, mas chegaram ao ponto em que só queriam abrir o Estreito de Ormuz. Isso não deu certo. E o bloqueio naval que ele anunciou não faz sentido algum, porque temos uma determinação férrea para novas ações”, afirmou.
Jalali também avaliou que, ao contrário do esperado por Washington, o confronto acabou fortalecendo a posição interna do Irã. De acordo com ele, a guerra não enfraqueceu o país, mas aumentou sua coesão e capacidade de resistência.
O embaixador acrescentou que havia um entendimento prévio entre as partes, posteriormente abandonado pelos Estados Unidos. “O que Trump não conseguiu durante a guerra, ele não conseguirá mais durante as negociações. Negociações significam que as pessoas devem chegar a um acordo justo baseado em uma posição ganha-ganha”, afirmou.
As declarações refletem o posicionamento iraniano de que qualquer avanço diplomático dependerá de equilíbrio entre as partes, sem imposições unilaterais.


