Irã diz que 'princípios gerais' foram aceitos em cessar-fogo com EUA
Teerã afirma que termos desejados foram incluídos na trégua e aponta resistência interna como fator decisivo para acordo no Golfo Pérsico
247 - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que os princípios considerados essenciais por Teerã foram contemplados no acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos, em meio à trégua de duas semanas que envolve também Israel e abre caminho para negociações diplomáticas no Golfo Pérsico. A declaração ocorre após o anúncio que interrompeu temporariamente as hostilidades no 40º dia de guerra.
Em publicação na rede X, Pezeshkian afirmou que o entendimento foi alcançado com base nas condições defendidas pelo país e atribuiu o resultado à mobilização nacional e ao contexto do conflito. “A partir de hoje, continuaremos unidos. Seja na diplomacia, na defesa, nas ruas ou na prestação de serviços”, escreveu o presidente iraniano.
O líder iraniano também relacionou o cessar-fogo aos desdobramentos do conflito, destacando o impacto das ações militares iniciais e a resposta interna. Segundo ele, o acordo foi resultado da “resistência do povo iraniano” e do contexto envolvendo o líder supremo Ali Khamenei, morto em ataques atribuídos a forças dos Estados Unidos e de Israel no início da guerra.
A trégua foi anunciada poucas horas antes do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intensificar as operações militares. O entendimento envolveu negociações indiretas e pressão diplomática, especialmente por parte do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou para ampliar o tempo de diálogo e incentivar a reabertura de rotas estratégicas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a segurança da rota marítima será garantida em coordenação com as forças armadas do país. Paralelamente, negociações formais estão previstas para começar em Islamabad, com mediação do governo paquistanês.
Entre os pontos em discussão para um eventual acordo mais amplo, o Irã propôs o levantamento de sanções econômicas, a criação de um fundo de compensação por danos de guerra e a possível retirada de tropas americanas do Golfo. O plano também inclui o reconhecimento do direito iraniano de enriquecer urânio, em troca do compromisso de não desenvolver armas nucleares.
Apesar do cessar-fogo, episódios de violência continuam sendo registrados. Israel reconheceu que um ataque atingiu uma sinagoga em Teerã, classificando o episódio como resultado de “danos colaterais” e expressando pesar. No norte de Israel, cinco pessoas ficaram feridas após ataques com mísseis vindos do Irã e foguetes disparados do Líbano.
No território libanês, operações militares israelenses seguem em curso. Um bombardeio teria atingido uma ambulância na região de Qlaileh, segundo autoridades locais de saúde, que denunciam ataques recorrentes a equipes de resgate. Israel afirma que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano, onde mantém confrontos com o Hezbollah.
O movimento libanês aliado do Irã não comentou diretamente o acordo, mas divulgou anteriormente uma declaração do aiatolá Ali Khamenei acompanhada de imagens de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel rasgadas, com a mensagem: “Faremos o inimigo se ajoelhar”.
Analistas avaliam que o acordo representa um momento delicado no conflito. Trita Parsi classificou a decisão como um recuo estratégico dos Estados Unidos, afirmando que a guerra havia se tornado “um desastre absoluto”.
No campo econômico, o impacto foi imediato. Os preços do petróleo recuaram para abaixo de US$ 100 após o anúncio da trégua, reduzindo preocupações sobre interrupções no fornecimento global. Ainda assim, especialistas alertam para a continuidade das incertezas. Alex Holmes, da Economist Intelligence Unit, afirmou que existe uma “grande lacuna” nas negociações e que investidores permanecem cautelosos.
Mesmo com a trégua em vigor, o cenário segue instável, com tensões persistentes em diferentes frentes e um processo diplomático ainda em construção.


