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Irã e EUA ampliam ataques no Golfo após acordo frágil

Irã e EUA trocam acusações e novos ataques no Golfo elevam tensão sobre cessar-fogo, Estreito de Ormuz e segurança no Oriente Médio

Imagem captada por drone do petroleiro HELGA atracado em um dos terminais petrolíferos offshore do sul do Iraque, próximo a Basra, enquanto se prepara para carregar petróleo, tornando-se a segunda embarcação a chegar desde o fechamento do Estreito de Ormuz, em 24 de abril de 2026 (Foto: Mohammed Aty/Reuters)
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247 - Irã e EUA ampliaram ataques no Golfo e trocaram novas acusações de violação do cessar-fogo, em uma escalada que ameaça o acordo provisório de paz firmado há menos de duas semanas e aumenta a tensão sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. 

De acordo com a Reuters, autoridades dos Estados Unidos afirmaram que não houve registro de baixas americanas nem danos significativos em instalações militares norte-americanas no Oriente Médio, após ataques atribuídos ao Irã no Kwait e no Bahrein neste domingo (28), embora a situação ainda estivesse em desenvolvimento. 

A tensão voltou a subir após novos ataques dos Estados Unidos contra instalações iranianas. O Comando Central norte-americano afirmou ter realizado bombardeios em resposta ao ataque de um drone iraniano contra um petroleiro com bandeira do Panamá no Estreito de Ormuz. Segundo os militares dos EUA, os alvos incluíram estruturas de vigilância, comunicação, defesa aérea, armazenamento de drones e instalações usadas para lançamento de minas.

A escalada ocorre em meio a acusações mútuas de descumprimento do pacto provisório de 14 pontos assinado entre Washington e Teerã. O entendimento buscava interromper a guerra iniciada em 28 de fevereiro, reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz à navegação internacional e permitir a continuidade das negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano.

“O Irã recebeu uma chance de honrar o acordo de cessar-fogo, mas escolheu não fazê-lo”, afirmou o Comando Central dos EUA, ao justificar a nova operação militar. A declaração foi divulgada depois de Washington acusar Teerã de manter ações contra a navegação comercial na região.

Horas antes dos ataques iranianos no Kuwait e no Bahrein, Trump publicou uma ameaça direta nas redes sociais. “Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com tanto sucesso”, escreveu o presidente dos Estados Unidos. “Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!”

Cerca de uma hora após a publicação, o Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas respondiam a ataques “hostis” de mísseis e drones. No Bahrein, sirenes foram acionadas, segundo o Ministério do Interior do país. Posteriormente, autoridades bareinitas relataram que um ataque iraniano danificou um edifício residencial na província de Muharraq, sem vítimas.

O Bahrein pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar o Irã. Já o Exército do Kuwait afirmou ter interceptado dois mísseis balísticos, sem registro de danos ou mortos.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que suas forças navais e aéreas lançaram operações com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein. A ação, segundo a organização, foi uma resposta aos bombardeios norte-americanos contra território iraniano.

Em comunicado divulgado pela Press TV, emissora estatal iraniana, a Guarda Revolucionária afirmou que os ataques dos EUA violaram o cessar-fogo e “resultarão na interrupção completa de todos os processos diplomáticos”. O comando naval da força também afirmou que bases americanas na região “experimentarão o inferno nos próximos dias”.

A disputa pelo Estreito de Ormuz está no centro da crise. A passagem, por onde escoava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra, ficou parcialmente bloqueada durante boa parte do conflito. Com a reabertura gradual da rota nas últimas semanas, centenas de embarcações retidas no Golfo começaram a sair, contribuindo para uma queda nos preços do petróleo em direção aos níveis anteriores à guerra.

O Irã tenta afirmar controle sobre a navegação no estreito e busca direcionar embarcações para uma rota ao norte, em águas sob sua influência. Já os Estados Unidos promovem o uso de uma faixa ao sul, próxima à costa de Omã, como alternativa para reduzir a dependência de rotas controladas por Teerã.

Mesmo com a continuidade dos ataques, o navio porta-contêineres Galapagos, da CMA CGM, conseguiu deixar o Estreito de Ormuz neste domingo. A empresa classificou a travessia como “um marco importante em um contexto regional que permanece complexo e exige vigilância constante”.

A crise também se estende ao Líbano. Israel afirmou neste domingo ter matado militantes do Hezbollah armados com granadas propelidas por foguete e atacado um lançador de foguetes na região de Nabatieh, no sul do país. O Hezbollah, aliado do Irã, não se manifestou imediatamente.

Teerã acusa Washington de descumprir o compromisso de sustentar um cessar-fogo no Líbano, onde Israel invadiu áreas em março sob a justificativa de combater o Hezbollah. Embora Israel não seja parte do acordo entre Estados Unidos e Irã, o país e o Líbano aceitaram sucessivas tréguas mediadas pelos norte-americanos, a mais recente na sexta-feira.

Esses acordos, porém, tiveram efeito limitado. Israel afirma que não deixará o território libanês ocupado, enquanto o Hezbollah rejeita entregar suas armas enquanto tropas israelenses permanecerem no país. A manutenção dos combates no Líbano reforça a fragilidade do acordo mais amplo e amplia o risco de que a crise no Golfo se transforme em uma nova etapa de confronto regional.

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