Irã fecha espaço aéreo e restringe voos internacionais
Medida permite apenas aeronaves com origem ou destino a Teerã em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos
247 - As autoridades do Irã informaram nesta quarta-feira (14) o fechamento do espaço aéreo do país para todos os voos internacionais, com exceção daqueles que tenham origem ou destino na capital, Teerã. A decisão foi comunicada às companhias aéreas e ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre o país persa e os Estados Unidos. As informações são do G1.
Por volta das 18h30, no horário de Brasília, plataformas de monitoramento aéreo registraram um esvaziamento significativo do espaço aéreo iraniano, com diversas aeronaves alterando rotas para evitar a região controlada por Teerã.
A restrição foi adotada no contexto das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem sugerido a possibilidade de autorizar uma intervenção militar diante da intensificação dos protestos no país.
Alerta alemão e riscos à aviação
Mais cedo, autoridades da Alemanha emitiram um alerta às companhias aéreas alemãs para que evitassem o espaço aéreo iraniano. Segundo o site Flightradar24, especializado no acompanhamento do tráfego aéreo, a diretriz mencionou riscos associados à escalada do conflito e ao uso de armamentos antiaéreos.
"É recomendado que os operadores aéreos civis alemães não entrem na FIR Teerã (OIIX)", referência à Região de Informação de Voo sob controle iraniano. O texto acrescenta que há "risco potencial à aviação devido à escalada de conflitos e armamento antiaéreo", destaca um trecho do comunicado alemão.
Registros de voos mostram que algumas aeronaves chegaram a retornar no meio do trajeto. Um dos exemplos foi o voo UAE325, da Emirates, que seguia de Seul para Dubai e alterou sua rota sobre o Turcomenistão. Outro caso foi o voo AUV7742, da FlyOne, que partiu de Medina com destino a Tashkent e realizou manobra de retorno sobre o Golfo Pérsico.
Avaliação europeia sobre o Irã
Avaliações políticas na Europa também indicam preocupação com o cenário iraniano. Na terça-feira (13), o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou considerar que o governo atual do país persa enfrenta seus "últimos dias e semanas". Em visita oficial à Índia, ele afirmou: "Presumo que agora estejamos testemunhando os últimos dias e semanas desse regime".
Merz associou essa avaliação à repressão violenta das forças de segurança contra manifestantes, afirmando que a manutenção do poder por meio da violência indica perda de legitimidade. O chanceler disse ainda que a Alemanha mantém diálogo próximo com os Estados Unidos e outros governos europeus sobre a situação no Irã.
Balanço de mortes e prisões
Dados divulgados nesta quarta-feira por organizações de direitos humanos apontam para um aumento expressivo no número de mortos durante as manifestações. Segundo a ONG Direitos Humanos no Irã, sediada na Noruega, ao menos 3.428 pessoas morreram entre os dias 8 e 12 de janeiro, sendo a maioria manifestantes. A entidade informou que os dados foram obtidos a partir de fontes no Ministério da Saúde iraniano.
Organizações internacionais alertam que o número real de vítimas pode ser maior em razão das dificuldades de apuração causadas pelo bloqueio de internet imposto pelo Irã.
Tensão militar entre Irã e Estados Unidos
Donald Trump afirmou que avalia opções militares contra o Irã e declarou que "a ajuda está a caminho". Em resposta, Teerã denunciou os Estados Unidos à Organização das Nações Unidas e acusou Washington de buscar um pretexto para promover uma mudança de governo.
Nesta quarta-feira, autoridades iranianas afirmaram que o país atacará bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja alvo de bombardeios estadunidenses. Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos iniciaram a evacuação de militares de algumas bases na região.


