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Irã intensifica ataques com mísseis contra Israel e nega negociações com EUA

Teerã rejeita declarações de Donald Trump e acusa Washington de manipulação

Irã ataca Tel Aviv (Foto: Reuters)

247 - O Irã lançou sucessivas ondas de mísseis contra Israel nesta terça-feira (24). Sirenes de alerta aéreo foram acionadas em diversas regiões israelenses, incluindo Tel Aviv, onde explosões foram registradas em meio às interceptações do sistema de defesa, informa a Reuters.

Os ataques ocorreram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que havia mantido conversas “muito boas e produtivas” com autoridades iranianas sobre uma possível “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”. O republicano também anunciou o adiamento, por cinco dias, de um plano para atacar a rede elétrica do Irã.

Os bombardeios iranianos provocaram danos materiais, especialmente no norte de Israel, onde destroços atingiram residências após interceptações. Até o momento, não há relatos de mortes.

As declarações de Trump foram rapidamente contestadas por autoridades iranianas. O presidente do parlamento do país, Mohammad Baqer Qalibaf, negou qualquer negociação com Washington e acusou o governo norte-americano de disseminar informações falsas. “Não houve negociações com os EUA, e notícias falsas estão sendo usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”, escreveu na rede X.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também reagiu, classificando as falas do presidente dos Estados Unidos como “operações psicológicas” já desgastadas e sem efeito prático no cenário militar.

Apesar da negativa iraniana, Trump reiterou que emissários de alto nível participaram de contatos com representantes de Teerã. “Tivemos conversas muito, muito fortes. Veremos aonde elas levam. Temos grandes pontos de concordância, eu diria, quase todos os pontos de concordância”, declarou o presidente dos Estados Unidos.

Fontes diplomáticas indicam, no entanto, que não houve negociações diretas até o momento, mas sim a intermediação de países como Egito, Paquistão e nações do Golfo. Há expectativa de que possíveis tratativas possam ocorrer nos próximos dias em Islamabad.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que discutiu o tema com Trump e que as operações militares contra alvos no Irã e no Líbano continuarão. Ainda assim, reconheceu que há uma avaliação, por parte de Washington, sobre a possibilidade de transformar os avanços militares em um acordo que preserve interesses estratégicos.

Enquanto isso, o impacto econômico da crise já se faz sentir nos mercados globais. Após uma queda inicial nos preços do petróleo na segunda-feira, impulsionada pelas declarações de Trump, os valores voltaram a subir diante da incerteza. O barril do Brent avançou para US$ 104,21, enquanto o petróleo norte-americano chegou a US$ 91,93.

Analistas destacam a volatilidade do cenário. “A situação subjacente ainda é incrivelmente frágil ou inflamável”, afirmou Tony Sycamore, analista da IG.

A instabilidade também está ligada ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. O Irã mantém restrições na região desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, agravando o risco de choque energético global.

O conflito já deixou mais de 2 mil mortos e segue sem perspectiva imediata de solução, enquanto mensagens contraditórias entre Teerã e Washington alimentam a incerteza diplomática e econômica no cenário internacional.

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