Irã lança mísseis contra Israel e atinge países do Golfo após morte de Ali Khamenei em ataque dos EUA e de Israel
Explosões são relatadas em Dubai, Doha e Manama; em Israel, sirenes levam civis a abrigos, enquanto Donald Trump ameaça “força nunca vista antes”
247 – O Irã lançou uma série de ataques com mísseis contra Israel e também realizou ações retaliatórias que, segundo relatos de correspondentes, foram sentidas em países do Golfo, em um domingo (1º de março de 2026) marcado por uma escalada regional após a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
As informações constam de um liveblog do Times of Israel, que acompanhou em tempo real os desdobramentos do dia e reuniu declarações oficiais, alertas de segurança e relatos de explosões e protestos em diferentes pontos do Oriente Médio.
Mísseis contra Israel e corrida aos abrigos
Em Israel, sirenes voltaram a soar “no sul e no centro do país” com novas rajadas de mísseis balísticos iranianos, levando a população a procurar abrigos. Segundo os relatos reunidos, as Forças de Defesa de Israel (IDF) orientaram civis das áreas alertadas a permanecerem em locais protegidos “até novo aviso”, enquanto os sistemas de defesa atuavam para interceptar os projéteis.
Ainda de acordo com as atualizações, serviços médicos israelenses afirmaram não haver, até aquele momento, “relatos de impactos em áreas residenciais” nem de ferimentos diretos causados pelos mísseis em si. O Magen David Adom informou que respondeu a ocorrências de pessoas “levemente feridas ao cair” durante a corrida para abrigos. O Comando da Frente Interna, por sua vez, teria liberado parte dos civis para sair dos abrigos em algumas regiões após o fim de determinados alertas, com a recomendação de permanecerem próximos a eles.
Explosões no Golfo e ameaça a bases dos EUA na região
Os acontecimentos não se limitaram a Israel. Correspondentes relataram uma “segunda onda de explosões” em Dubai, poucas horas depois de estrondos anteriores registrados também em Doha e na capital do Bahrein, Manama. O liveblog atribui os episódios a ataques retaliatórios do Irã “no Golfo”, conectados à resposta iraniana aos ataques dos Estados Unidos e de Israel que teriam matado Ali Khamenei.
Além dos relatos de explosões, as atualizações citam que o Irã teria indicado que pretende mirar bases dos Estados Unidos na região. Também há menção a um segundo dia de fortes explosões na capital do Catar, Doha, em um cenário de tensão crescente entre Teerã, Washington, Tel Aviv e governos do Golfo.
Protestos no Iraque e tentativa de invasão da Zona Verde em Bagdá
A escalada também reverberou no Iraque. Segundo um jornalista da AFP citado no acompanhamento do dia, “centenas de iraquianos” tentaram invadir a Zona Verde fortificada de Bagdá, onde fica a embaixada dos Estados Unidos, após a morte de Khamenei.
Um agente de segurança disse à AFP que as tentativas “tinham sido frustradas até agora, mas eles continuam tentando”. O relato menciona que manifestantes — alguns com bandeiras de grupos armados pró-Irã — atiraram pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. Ainda conforme a cobertura, a imprensa local reportou protestos em outras províncias do sul do Iraque.
Transição no Irã e apelos contra “divisão interna”
Em Teerã, a morte do líder supremo abriu imediatamente a questão sucessória e o risco de fragmentação interna em meio a uma crise de segurança. O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que lidera o Conselho Supremo de Segurança Nacional, advertiu contra “tentativas de dividir o Irã” após a morte de Khamenei.
Em entrevista exibida pela TV estatal, Larijani afirmou: “Grupos que buscam dividir o Irã devem saber que não toleraremos isso”, ao mesmo tempo em que convocou os iranianos à unidade.
O mesmo dirigente indicou que o processo de transição começaria “hoje” e descreveu a formação de um conselho interino. Segundo Larijani, “um conselho interino de liderança será formado em breve. O presidente, o chefe do Judiciário e um jurista do Conselho dos Guardiões assumirão a responsabilidade até a eleição do próximo líder”. Ele acrescentou: “Esse conselho será estabelecido o mais rápido possível. Estamos trabalhando para formá-lo tão cedo quanto hoje”.
Israel celebra morte de Khamenei; Parlamento do Irã promete reação
Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, celebrou o ataque que matou Khamenei em Teerã no dia anterior. Em declaração citada no liveblog, Katz afirmou: “A justiça foi feita” e disse que o líder supremo iraniano foi eliminado “no ataque de abertura” de uma ofensiva chamada “Operation Roaring Lion”, juntamente com “outras figuras seniores” do que chamou de “regime terrorista iraniano”.
Katz também declarou: “Quem trabalhou para destruir Israel foi destruído. A justiça foi feita, e o eixo do mal sofreu um golpe esmagador”. As falas explicitam o grau de confrontação e indicam a aposta israelense em apresentar a ação como um golpe estratégico.
No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país se preparou para “todos os cenários”, incluindo o caminho a seguir após a morte do líder supremo. Em vídeo exibido pela TV estatal, Ghalibaf disse: “Nós nos preparamos para esses momentos e consideramos todos os cenários”. Em seguida, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de terem “cruzado nossas linhas vermelhas” e concluiu: “Eles sofrerão as consequências”.
Trump faz ameaça pública de “força nunca vista antes”
Em Washington, Donald Trump reagiu com uma ameaça direta caso Teerã amplie os ataques “nas próximas horas”. Em publicação na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos escreveu: “O Irã acabou de declarar que vai atacar muito forte hoje, mais forte do que jamais atacou antes. ELES É MELHOR NÃO FAZEREM ISSO, PORÉM, PORQUE SE FIZEREM, NÓS VAMOS ATINGI-LOS COM UMA FORÇA QUE NUNCA FOI VISTA ANTES!”
A declaração adiciona um componente de imprevisibilidade e pressão máxima à crise, ao mesmo tempo em que sugere que a escalada pode extrapolar a troca de mísseis entre Irã e Israel e envolver diretamente os EUA com ataques adicionais.
Um domingo de escalada regional, com múltiplas frentes abertas
O quadro descrito ao longo do dia combina três vetores simultâneos: a continuidade do fogo cruzado entre Irã e Israel, a projeção do conflito para países do Golfo com relatos de explosões em cidades-chave, e a instabilidade política e social em países vizinhos como o Iraque, onde a tentativa de invasão da Zona Verde evidencia o potencial de mobilização contra instalações americanas.
Paralelamente, o Irã sinaliza reorganização interna com um mecanismo de transição e um discurso de coesão, enquanto autoridades israelenses celebram a morte do líder supremo como vitória estratégica — tudo isso sob a sombra de ameaças públicas de Donald Trump e da possibilidade, mencionada nos relatos, de alvos ligados às bases dos EUA na região.
O desfecho imediato permanece condicionado ao ritmo dos ataques, à capacidade de contenção e ao comportamento dos atores regionais, em uma conjuntura em que cada nova salva de mísseis e cada novo relato de explosões tende a ampliar o risco de uma guerra de proporções ainda maiores.


