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Irã pode já ter um novo líder supremo

Especialista da Universidade de Teerã afirma que eventual escolha ainda não foi anunciada por razões de segurança e nega boicote no processo

Manifestantes protestam contra assassinato do aiatolá Ali Khamenei em Teerã (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)

247 - Uma eventual escolha do próximo líder supremo do Irã pode já ter ocorrido, embora ainda não tenha sido tornada pública, segundo avaliação de uma especialista iraniana. A análise foi apresentada por Zohreh Kharazmi, professora associada da Universidade de Teerã, em entrevista à Al Jazeera, na qual ela também rejeitou relatos de que integrantes da Assembleia dos Peritos teriam boicotado o processo de sucessão.

Kharazmi classificou como “rumores” as informações de que oito membros do órgão responsável por selecionar o líder supremo teriam se recusado a participar das discussões sobre a sucessão. De acordo com a professora, o processo institucional segue dentro da normalidade. Ao comentar a possibilidade de uma decisão já ter sido tomada, ela sugeriu que razões de segurança poderiam justificar a ausência de um anúncio oficial.

Segundo a especialista, a proteção da identidade do possível sucessor pode fazer parte de um protocolo estratégico. “É muito racional preservar a vida do próximo líder… é um protocolo de segurança muito racional”, afirmou durante a entrevista concedida de Teerã.

Kharazmi também contestou relatos de que grupos curdos iranianos estariam dialogando com autoridades dos Estados Unidos sobre possíveis ataques contra forças de segurança iranianas na região oeste do país. Para ela, essas informações não correspondem à realidade observada no Irã. “Eu acho que isso é… propaganda política… os iranianos irão contê-los, e não acredito que eles possam fazer algo eficaz”, declarou.

No mesmo contexto, forças iranianas lançaram recentemente uma operação contra grupos curdos na região semiautônoma do Curdistão iraquiano, área vizinha ao território iraniano. A iniciativa ocorre em meio a tensões envolvendo organizações armadas curdas que atuam na fronteira entre os dois países.

A professora também afirmou que, ao contrário de algumas avaliações externas, há apoio interno ao sistema político iraniano. “O que vejo em Teerã é um alto nível de solidariedade social e apoio à República Islâmica”, disse Kharazmi ao comentar o cenário político e social observado na capital iraniana.

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