Irã rejeita pressão dos EUA em negociações nucleares
Tensão cresce no Oriente Médio com mobilização aérea dos EUA
247 - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou neste sábado (21) que o país não irá se submeter à pressão internacional durante as negociações nucleares em curso com os Estados Unidos. A fala foi transmitida ao vivo pela televisão estatal iraniana, em meio ao aumento das tensões diplomáticas e militares no Oriente Médio.
As informações foram divulgadas por veículos internacionais e incluem declarações do presidente iraniano, do ministro das Relações Exteriores do Irã e do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o Wall Street Journal e a agência Reuters, Washington avalia cenários militares enquanto as tratativas diplomáticas seguem em andamento.
Em discurso público, Pezeshkian afirmou que o Irã resistirá às pressões externas. “As potências mundiais estão se unindo para nos forçar a baixar a cabeça, mas não baixaremos a cabeça, apesar de todos os problemas que estão criando para nós”, declarou.
Na sexta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, informou que Teerã deve apresentar uma contraproposta nos próximos dias, após a rodada de negociações nucleares realizada nesta semana com representantes norte-americanos.
Trump admite avaliar ação militar
Também na sexta-feira, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, foi questionado por jornalistas sobre a possibilidade de uma ofensiva militar limitada contra o Irã como forma de pressionar por um acordo sobre o programa nuclear. O republicano respondeu: “Acho que posso dizer que estou considerando”.
A possibilidade de uma ação militar mais restrita, com foco específico e não em uma ofensiva de grande escala, foi antecipada pelo Wall Street Journal. O jornal apontou que a estratégia poderia servir como sinal de pressão para que Teerã aceite encerrar seu programa nuclear.
O cenário ocorre em meio a uma mobilização significativa de poderio aéreo norte-americano no Oriente Médio, considerada a mais expressiva desde a invasão do Iraque. Apesar disso, não há indicativos de que o governo dos Estados Unidos esteja planejando uma invasão terrestre, operação vista como de alto custo político e militar.
Planejamento militar em estágio avançado
De acordo com a agência Reuters, dois funcionários do governo norte-americano afirmaram que o planejamento militar em relação ao Irã avançou consideravelmente. Entre as opções discutidas estariam ataques direcionados a indivíduos específicos e até mesmo medidas que poderiam resultar em mudança na liderança iraniana, caso haja autorização presidencial.
O impasse evidencia o momento delicado das negociações nucleares, com o Irã reiterando que não aceitará imposições externas, enquanto Washington mantém abertas tanto as vias diplomáticas quanto a possibilidade de medidas coercitivas. A evolução das tratativas deverá definir os próximos passos em uma das crises geopolíticas mais sensíveis da atualidade.


