Probabilidade de ataque dos EUA ao Irã é "bem acima de 50%", diz Eurasia Group
Trump demonstra confiança em sua estratégia militar, avalia Ian Bremmer
247 - O diretor-presidente da consultoria de riscos geopolíticos Eurasia Group, Ian Bremmer, avalia que as chances de um ataque militar dos Estados Unidos contra o Irã são "bem acima de 50%". Para ele, a falta de avanços significativos nas negociações entre Washington e Teerã, realizadas em Genebra na última semana, é o principal fator por trás dessa avaliação.
A segunda rodada de negociações entre Irã e EUA sobre o programa nuclear de Teerã ocorreu na terça-feira (17), com mediação de Omã. Após as conversas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou, por outro lado, avanços e destacou que as partes trabalhariam em minutas que poderiam servir de base para um possível acordo.
Bremmer pondera que um eventual ataque militar dos EUA contra o Irã poderia ampliar a impopularidade do presidente norte-americano, Donald Trump. Ele traçou um paralelo com a operação que resultou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, observando que uma operação direcionada a Teerã envolveria um grau de complexidade significativamente maior. Ainda assim, segundo Bremmer, Trump demonstra confiança em sua estratégia militar, que envolve um amplo deslocamento de forças militares à região do Oriente Médio.
"As chances de ataques americanos ao Irã? Bem acima de 50%. É para isso que apontam as negociações paralisadas e o visível acúmulo militar. Mas o presidente Trump deveria pensar com cuidado antes de dar a ordem sobre o Irã. Os eleitores americanos não se inscreveram para uma campanha militar de grande escala no Irã. A Venezuela foi popular porque nenhum americano se feriu e as operações militares terminaram quase antes de começar. Embora Trump tenha sido muito mais contido nas tarifas até agora neste ano, ele está muito mais confiante militarmente. E não se deixa intimidar pelas ameaças militares iranianas. Afinal, ele já lançou dois grandes ataques contra a República Islâmica—uma vez no final de seu primeiro mandato, uma segunda vez no ano passado—e os iranianos recuaram nas duas ocasiões", diz a análise publicada na sexta-feira (20) em sua newsletter na rede Linkedin.
Na quinta-feira (19), Trump afirmou que o Irã tem, no máximo, 15 dias para fechar um acordo com os EUA. Com as discussões sobre as modalidades do possível acordo mantidas internamente na Casa Branca, algumas autoridades do governo acreditam que limitar o acordo ao programa nuclear iraniano seria benéfico para Teerã, informou o jornal The Wall Street Journal na sexta-feira, acrescentando que Trump prefere apostar na diplomacia antes de recorrer a outras opções.
Enquanto isso, enviados da Rússia, da China e do Irã em Viena, em reunião com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, destacaram a importância de uma solução política e diplomática para a questão nuclear iraniana, afirmou o representante permanente da Rússia junto a organizações internacionais em Viena, Mikhail Ulyanov. O jornal Izvestia informou que os representantes dos países aliados se reuniram com Grossi na quarta-feira (18) em Viena. (Com informações da Sputnik).


