Irã rejeita reabrir o Estreito de Ormuz em troca de cessar-fogo temporário
Especialistas e autoridades regionais alertam que qualquer solução duradoura dependerá da normalização do tráfego no Estreito de Ormuz
247 - O Irã rejeitou reabrir o Estreito de Ormuz como condição para um cessar-fogo temporário, mantendo o bloqueio de uma das principais rotas energéticas do mundo e ampliando o impasse com os Estados Unidos, enquanto uma proposta de paz em duas fases segue em negociação, informa a agência Reuters.
O plano em discussão prevê inicialmente um cessar-fogo imediato, seguido por um acordo mais amplo a ser concluído em até 20 dias. Apesar disso, autoridades iranianas deixaram claro que não aceitarão reabrir o estreito — por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural global — como parte de uma trégua temporária, nem concordar com prazos impostos por Washington.
O Estreito de Ormuz tornou-se o principal ponto de pressão na crise. Após ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã respondeu fechando a via marítima estratégica, impactando diretamente o abastecimento energético global e contribuindo para a alta dos preços do petróleo.
Um alto funcionário iraniano afirmou que o país não aceitará decisões precipitadas enquanto avalia a proposta internacional e criticou a postura norte-americana, ao declarar que os Estados Unidos “não estão preparados para um cessar-fogo permanente”. A posição reforça a estratégia de Teerã de usar o controle do estreito como instrumento de negociação.
Do lado americano, o presidente Donald Trump elevou o tom ao condicionar qualquer acordo à reabertura imediata da passagem. Em publicação nas redes sociais, ele ameaçou intensificar ataques contra infraestrutura iraniana caso o país não ceda dentro do prazo estipulado.
A proposta diplomática em curso envolve uma articulação internacional. De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, manteve contato contínuo com autoridades dos EUA e do Irã, incluindo o vice-presidente JD Vance e o chanceler Abbas Araqchi, na tentativa de viabilizar um acordo.
Especialistas e autoridades regionais alertam que qualquer solução duradoura dependerá da normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. O conselheiro do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que um acordo precisa garantir o acesso à rota estratégica e advertiu que, sem conter o programa nuclear iraniano e seus sistemas militares, o resultado pode ser “um Oriente Médio mais perigoso e mais volátil”.
Enquanto o impasse persiste, os confrontos continuam em diferentes frentes. O Irã intensificou ataques contra alvos ligados a Israel e instalações energéticas na região do Golfo, demonstrando capacidade de resposta mesmo sob pressão militar.


