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Israel e Estados Unidos bombardeiam mais uma escola no Irã

Já é a quarta instituição de ensino atingida. Segundo o UNICEF, pelo menos 181 crianças iranianas já morreram no conflito

Escola Shahid Hamedani em Teerã, Irã (Foto: Reprodução/X/@IRIMFA_SPOX)

247 - Uma escola primária localizada na Praça Niloufar, em Teerã, capital do Irã, foi atingida por bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, segundo informações divulgadas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei. O episódio foi relatado pela rede Al Jazeera, que informou que imagens divulgadas pelo governo iraniano mostram danos significativos à escola Shahid Hamedani.

Baghaei publicou nesta sexta-feira (6) um vídeo na rede social X que, segundo ele, mostra a escola antes e depois do ataque. As imagens exibem destruição no local, embora o porta-voz não tenha detalhado as circunstâncias do bombardeio nem informado o número de vítimas.

Caso seja confirmado, este será o quarto ataque contra escolas no Irã desde o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel no país. O primeiro caso ocorreu no sábado (28), no início das hostilidades, quando a escola feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do Irã, foi atingida.

Segundo especialistas das Nações Unidas, o ataque em Minab provocou a morte de 160 crianças e cinco membros da equipe escolar. Após o episódio, alguns sites e contas em redes sociais ligados a Israel alegaram que a área faria parte de uma base da Guarda Revolucionária Islâmica.

Uma investigação conduzida pela unidade de análise digital da Al Jazeera, no entanto, analisou imagens de satélite acumuladas ao longo de mais de uma década, além de vídeos recentes, reportagens e declarações oficiais iranianas. O estudo concluiu que a escola funcionava separadamente de uma instalação militar próxima havia pelo menos dez anos.

A análise também indicou que o padrão do ataque levanta questionamentos relevantes sobre a precisão das informações de inteligência utilizadas para justificar o bombardeio. As conclusões da investigação levantam inclusive dúvidas sobre a possibilidade de que a escola tenha sido deliberadamente atingida.

Diante da repercussão internacional do episódio, autoridades dos Estados Unidos reconheceram que o caso está sendo investigado. A agência Reuters informou, citando dois funcionários do governo norte-americano, que investigadores militares acreditam ser provável que forças dos EUA tenham sido responsáveis pelo ataque, embora ainda não exista uma conclusão definitiva.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu nesta sexta-feira que Washington acelere as investigações. Segundo ele, o organismo internacional solicitou aos Estados Unidos uma apuração “rápida, transparente e imparcial”.

“Precisamos que isso aconteça muito rapidamente e também precisamos garantir que haja responsabilização e reparação para as vítimas”, declarou Turk a jornalistas em Genebra.

Outros ataques contra instituições de ensino também foram relatados nos últimos dias. Na quinta-feira (5), mísseis disparados pelos Estados Unidos e por Israel atingiram duas escolas na cidade de Parand, localizada a sudoeste de Teerã, segundo a mídia estatal iraniana.

A agência de notícias Fars divulgou fotografias que mostram salas de aula danificadas e destroços espalhados no interior das instalações escolares. O ataque também teria causado danos a várias residências próximas.

Dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indicam que, entre as mais de 1,3 mil pessoas mortas nos bombardeios contra o Irã até o momento, pelo menos 181 são crianças.

De acordo com o direito internacional humanitário, ataques deliberados contra escolas podem ser classificados como crimes de guerra. Caso se confirme a participação dos Estados Unidos em bombardeios contra instituições educacionais, o episódio poderá figurar entre os casos mais graves de mortes de civis registrados em décadas de conflitos no Oriente Médio.

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