Israel e Líbano retomam diálogo direto após 40 anos
Encontro em Washington reúne autoridades dos dois países e expõe divergências sobre Hezbollah, cessar-fogo e acordo de paz
247 - Israel e Líbano realizam nesta terça-feira (14), em Washington, a primeira reunião direta entre autoridades de alto nível dos dois países em mais de quatro décadas, em um contexto marcado por tensões militares e impasses políticos sobre segurança regional, segundo a CNN.
O encontro ocorre no Departamento de Estado dos Estados Unidos e reúne o embaixador israelense Yechiel Leiter e a representante libanesa Nada Hamadeh, com mediação norte-americana. A iniciativa surge sob pressão de Washington para reduzir a escalada no sul do Líbano e tentar avançar em negociações mais amplas.
Divergências sobre Hezbollah e cessar-fogo
O governo israelense chega às negociações com dois objetivos centrais, definidos pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: o desarmamento do Hezbollah e a construção de um acordo de paz considerado histórico entre os dois países.
No entanto, fontes israelenses avaliam que a distância entre as posições ainda é significativa. O Líbano condiciona o avanço das conversas à implementação de um cessar-fogo, enquanto Israel insiste na continuidade das operações militares contra o Hezbollah, defendendo que o diálogo ocorra mesmo em meio ao conflito.
Pressão dos EUA influencia ações militares
Nos bastidores, autoridades israelenses reconhecem que houve redução no ritmo e na abrangência dos ataques recentes no território libanês, em resposta à pressão dos Estados Unidos. Nos últimos dias, Israel evitou atingir áreas como Beirute e grande parte do Vale do Bekaa, concentrando suas ações no sul do país.
Ainda assim, as forças israelenses seguem realizando ataques contra alvos que classificam como ligados ao Hezbollah, com a exigência de aprovação política para cada operação.
Histórico recente e desafios para acordo
Israel e Líbano haviam firmado um cessar-fogo mediado pelos EUA em novembro de 2024, que previa o desarmamento do Hezbollah e a retirada das tropas israelenses. O acordo, porém, perdeu força diante da retomada das hostilidades.
Agora, Netanyahu busca um entendimento mais robusto, com garantias mais firmes por parte do Líbano em relação ao Hezbollah e a possibilidade de ampliar as relações entre os países.
Pressões internas em Israel
Dentro do governo israelense, há resistência significativa à interrupção das operações militares. Integrantes da ala mais conservadora defendem a manutenção da ofensiva e até a criação de uma zona de segurança permanente no sul do Líbano.
Segundo fontes, Netanyahu afirmou ao gabinete que a abertura das negociações ocorre principalmente em resposta à pressão dos Estados Unidos, evidenciando o peso da diplomacia norte-americana no processo.


