Israel foi responsável por dois terços dos assassinatos de jornalistas no mundo em 2025
Relatório aponta 129 profissionais assassinados no ano, recorde histórico
247 - Um total de 129 jornalistas e profissionais da imprensa foram mortos em todo o mundo em 2025, estabelecendo o maior número já registrado em mais de três décadas de monitoramento. O dado representa o segundo recorde anual consecutivo e expõe o agravamento dos riscos enfrentados por repórteres, especialmente em áreas de guerra.
As informações constam em relatório divulgado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), que atribui a Israel a responsabilidade por dois terços das mortes registradas no período. Segundo a entidade, a maior parte das vítimas estava em contextos de conflito armado, o que reforça o cenário de vulnerabilidade extrema da categoria.
De acordo com o levantamento, mais de 75% das mortes ocorreram em zonas de guerra. Entre os 86 profissionais da imprensa mortos por disparos israelenses em 2025, mais de 60% eram palestinos que atuavam na cobertura da Faixa de Gaza.
Em nota oficial, a diretora-executiva do CPJ, Jodie Ginsberg, alertou para a gravidade do quadro. “Jornalistas estão sendo mortos em números recordes em um momento em que o acesso à informação é mais importante do que nunca”, afirmou. Ela acrescentou: “Todos nós estamos em risco quando jornalistas são mortos por reportar as notícias”.
O relatório também aponta aumento no uso de drones em ataques fatais contra profissionais da imprensa. Foram documentados 39 casos em 2025, incluindo 28 mortes atribuídas a Israel em Gaza e cinco às Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar atuante no Sudão.
Na Ucrânia, quatro jornalistas morreram em ataques com drones militares russos — o maior número anual desde 2022, quando 15 profissionais perderam a vida no conflito. O CPJ destacou ainda que o número de mortes tanto na Ucrânia quanto no Sudão cresceu em relação ao ano anterior.
A organização também chama atenção para o que descreve como uma “cultura de impunidade”, marcada pela ausência de investigações transparentes e responsabilização pelos assassinatos. No México, seis jornalistas foram mortos em 2025, e todos os casos permanecem sem solução. Nas Filipinas, três profissionais foram mortos a tiros.
Além das mortes em cenários de guerra, o relatório registra assassinatos ligados à cobertura de corrupção e crime organizado. Em Bangladesh, um repórter foi morto a golpes por suspeitos associados a um esquema de fraude. Casos semelhantes, relacionados ao crime organizado, foram registrados na Índia e no Peru, conforme detalha o CPJ.


