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Israel usa água como arma de guerra contra palestinos na Faixa de Gaza, denuncia relatório

Relatório da MSF aponta destruição de infraestrutura e restrições ao acesso à água e saneamento durante o genocídio em Gaza

Criança palestina entre recipientes de água no sul da Faixa de Gaza 16/10/2025 (Foto: Ramadan Abed/Reuters)

247 - A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgou nesta terça-feira (28) o relatório “Água como Arma”, no qual aponta que o acesso à água, saneamento e higiene foi utilizado como instrumento de guerra por Israel durante o genocídio - que segue em curso - na Faixa de Gaza. O documento destaca a destruição de 89% das estruturas relacionadas a esses serviços, comprometendo o abastecimento e agravando a crise humanitária no território. De acordo com a MSF, responsável pelo levantamento, as ações militares israelenses teriam provocado impactos diretos na saúde, na dignidade e na sobrevivência da população civil. 

Infraestrutura destruída e bloqueios de ajuda

O relatório identifica três mecanismos principais que teriam levado ao colapso do sistema hídrico em Gaza: a destruição e os ataques à infraestrutura, as restrições à circulação que dificultam o acesso humanitário e o bloqueio ou atraso sistemático de suprimentos essenciais.

“Grande parte da rede de abastecimento e tratamento de água, incluindo poços e instalações de dessalinização, foi destruída ou ficou inacessível”, aponta o documento. Dados do Banco Mundial, da União Europeia e da ONU indicam que ao menos 89% dessas estruturas foram danificadas ou destruídas.

A MSF conclui que essas ações resultaram na inacessibilidade generalizada aos sistemas de água e saneamento, configurando uma “punição coletiva da população de Gaza”.

Impactos na saúde e aumento de doenças

O levantamento também evidencia consequências diretas na saúde da população. Com base em 1.073 entrevistas realizadas entre maio e agosto de 2025, a organização identificou que 23% das pessoas haviam enfrentado doenças gastrointestinais no mês anterior à pesquisa.

Infecções respiratórias atingiram moradores de cerca de 22% dos domicílios no mesmo período, enquanto durante um cessar-fogo anterior esses índices eram menores.

O relatório destaca ainda o colapso do sistema de saneamento. “Como os sistemas de saneamento entraram efetivamente em colapso, os banheiros improvisados também levam à infiltração de resíduos humanos, incluindo fezes, nas águas subterrâneas, tornando a água dos poços da região imprópria para consumo'.

Ataques e restrições a operações humanitárias

A MSF relata dificuldades recorrentes para a entrada de equipamentos necessários à produção de água potável em Gaza. Segundo a organização, houve casos em que materiais foram bloqueados ou tiveram sua entrada atrasada sem justificativas consideradas plausíveis.

Além disso, caminhões-pipa e pontos de distribuição de água operados pela ONG teriam sido alvo de ataques, inclusive durante o fornecimento à população.

Um dos episódios citados envolve uma instalação em Rafah, no sul de Gaza, que atendia cerca de 16 mil pessoas por dia. Após a equipe ser obrigada a deixar a área em março de 2025, a organização afirma não ter conseguido retornar ao local, que permanece sob controle israelense. “Imagens de satélite mostram que a infraestrutura hídrica da MSF foi completamente destruída, e a região, devastada”, descreve o relatório.

Deslocamentos e agravamento da crise

O documento também aponta que operações militares provocaram deslocamentos forçados em massa ao longo do conflito. Em setembro de 2025, a chamada “zona humanitária” concentrava cerca de 2,1 milhões de pessoas em uma área de apenas 43,3 km², resultando em alta densidade populacional e agravamento das condições sanitárias.

A MSF afirma que essa concentração intensificou a pressão sobre sistemas já colapsados, ampliando os riscos à saúde e à segurança da população.

Demandas e obrigações internacionais

A organização lista uma série de medidas consideradas urgentes, como a suspensão do bloqueio à entrada de equipamentos, a facilitação do trabalho humanitário e o fim dos deslocamentos forçados.

O relatório ressalta que Israel, na condição de potência ocupante, tem obrigações previstas no direito internacional humanitário, incluindo garantir o atendimento das necessidades básicas da população e proteger a infraestrutura civil.

A MSF também pede aos Estados-membros da ONU que apoiem negociações com as autoridades israelenses e ampliem o financiamento para a reconstrução de infraestruturas essenciais em Gaza.

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