Palestinos usam escombros da destruição causada por Israel para reconstruir ruas em Gaza
Projeto do PNUD reaproveita concreto e metal de áreas devastadas para pavimentação e recuperação de infraestrutura urbana
247 - A população palestina tem utilizado escombros da destruição resultante do genocídio promovido por Israel para reconstruir ruas na Faixa de Gaza. O plano é conduzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e busca transformar concreto e metal provenientes de destruição em material reutilizável para pavimentação de vias e recuperação de áreas urbanas. As informações são da agência Reuters.
O projeto surge enquanto avança lentamente o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltado à reconstrução de Gaza após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025 entre Israel e Hamas. A iniciativa da ONU tem como objetivo limpar milhões de toneladas de destroços acumulados após dois anos de genocídio promovido pelas forças israelenses. Segundo estimativas, cerca de 61 milhões de toneladas de escombros cobrem o território.
Reciclagem dos destroços
O chefe do escritório do PNUD em Gaza, Alessandro Mrakic, afirmou que o processo já envolve separação e reciclagem do material. "Além da coleta, nós já começamos a separar, começamos a triturar e, assim, reutilizar", disse. "Nós já utilizamos quase a mesma quantidade que coletamos." Segundo ele, equipes formadas por trabalhadores palestinos utilizam os materiais na recuperação de estradas e na preparação de áreas para abrigos e cozinhas comunitárias.
Risco no trabalho
Na cidade de Khan Younis, no sul de Gaza, trabalhadores operam máquinas pesadas para quebrar estruturas de concreto destruídas. Durante o processo, colunas de poeira se formam enquanto ferros retorcidos são separados dos destroços. O trabalho ocorre sob condições de risco. Antes da remoção dos escombros, é necessário verificar a presença de explosivos não detonados, em coordenação com o serviço de desminagem da ONU.
Um dos trabalhadores, Ibrahim al-Sarsawi, de 32 anos, relatou a dificuldade da situação. "Não consigo encontrar outra fonte de renda, por isso faço este trabalho. Você pode se machucar", afirmou. Ele também destacou o risco adicional da proximidade com a linha de armistício entre Israel e Hamas, onde há possibilidade de disparos.
O palestino Sobhi Dawoud, de 60 anos, que vive em um acampamento de tendas em Khan Younis, descreveu o cenário atual como uma nova etapa de dificuldades. "A guerra terminou, mas isso é o começo de uma nova guerra", disse. Segundo ele, trata-se de uma fase voltada à reconstrução e à recuperação de infraestrutura básica, como eletricidade, água, esgoto, escolas e ruas.
Dimensão do desafio
O PNUD afirma que já removeu cerca de 287 mil toneladas de entulho, volume considerado apenas uma pequena fração do total. Segundo Alessandro Mrakic, o desafio é um dos maiores já enfrentados em cenários pós-guerra. A estimativa é de que a remoção completa dos escombros leve cerca de sete anos, caso haja acesso contínuo a equipamentos e combustível.
A reconstrução de Gaza, segundo avaliação conjunta da União Europeia, ONU e Banco Mundial, pode custar cerca de 71,4 bilhões de dólares ao longo da próxima década.



