Reconstrução de Gaza pode superar US$ 71 bilhões e expõe devastação sem precedentes, aponta ONU
Relatório revela destruição massiva de infraestrutura e crise humanitária com 1,9 milhão de deslocados
247 – A reconstrução da Faixa de Gaza poderá custar mais de US$ 71 bilhões ao longo da próxima década, segundo estimativas divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Europeia (UE), com base em relatório que conta com contribuições do Banco Mundial. As informações foram publicadas pela Sputnik Brasil e revelam a dimensão da devastação após dois anos de guerra na região.
O estudo descreve um cenário de destruição generalizada, com impactos profundos tanto na infraestrutura quanto na economia e nas condições de vida da população palestina. O custo total estimado reflete não apenas a reconstrução física, mas também as perdas econômicas e sociais acumuladas ao longo do conflito.
Destruição em larga escala atinge moradias, hospitais e escolas
De acordo com o relatório, os danos à infraestrutura física somam aproximadamente US$ 35,2 bilhões, incluindo a destruição de residências, unidades de saúde e instituições de ensino. Mais de 371 mil casas foram destruídas, deixando grande parte da população sem abrigo.
O sistema de saúde também foi severamente afetado: mais da metade dos hospitais está fora de operação. No setor educacional, o quadro é igualmente crítico, com quase todas as escolas danificadas ou completamente destruídas, comprometendo o acesso à educação de milhares de crianças e jovens.
Colapso econômico agrava crise humanitária
Além da destruição física, Gaza enfrenta um colapso econômico profundo. A economia local encolheu 84%, evidenciando a paralisação de atividades produtivas e a perda de renda da população.
As perdas econômicas e sociais são estimadas em cerca de US$ 22,7 bilhões. Esse cenário agrava ainda mais a crise humanitária, dificultando a recuperação mesmo diante de futuros investimentos.
Primeiros anos exigirão investimentos urgentes
O relatório aponta que apenas nos primeiros 18 meses serão necessários cerca de US$ 26,3 bilhões para restabelecer serviços essenciais, reconstruir infraestrutura crítica e iniciar a retomada econômica.
Esse montante inicial é considerado fundamental para garantir condições mínimas de vida, incluindo acesso à água, energia, saúde e moradia, além de reativar setores produtivos básicos.
Deslocamento em massa e perda de moradia
A crise humanitária atinge níveis alarmantes. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, enquanto mais de 60% da população perdeu suas casas. A magnitude da destruição impõe desafios logísticos e políticos para qualquer esforço de reconstrução.
Organismos internacionais destacam que a recuperação de Gaza não poderá ocorrer sem a continuidade da ajuda humanitária em larga escala. Além disso, um cessar-fogo duradouro é apontado como condição indispensável para viabilizar qualquer plano de reconstrução consistente.
ONU alerta para desafios de financiamento e segurança
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, ressaltou que os próximos passos dependem de fatores ainda incertos, como financiamento adequado e condições de segurança no território.
"Não acho que tenhamos chegado lá ainda", afirmou Dujarric, ao comentar as dificuldades para avançar na implementação de medidas concretas de reconstrução.
Reconstrução depende de estabilidade política
O relatório reforça que a reconstrução de Gaza exigirá não apenas recursos financeiros expressivos, mas também coordenação internacional, estabilidade política e garantias de segurança no terreno.
Sem esses elementos, especialistas alertam que os esforços podem ser comprometidos, prolongando a crise humanitária e dificultando a recuperação econômica da região.
A dimensão dos números evidencia que Gaza enfrenta um dos maiores desafios de reconstrução da história recente, com impactos que devem se estender por décadas.


