Itamaraty presta solidariedade à Suíça após trágico incêndio
Incêndio em bar de estação de esqui deixou cerca de 40 mortos. Não há brasileiros entre as vítimas
247 - O governo brasileiro manifestou solidariedade à Suíça após o incêndio de grandes proporções que atingiu um bar lotado durante as comemorações de Ano Novo na estação de esqui de Crans-Montana, no sudoeste do país europeu. A tragédia deixou dezenas de mortos e cerca de uma centena de feridos, a maioria em estado grave, segundo informações das autoridades locais.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (1º), o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso com consternação. De acordo com o Itamaraty, o incêndio ocorreu na madrugada do dia 1º de janeiro e provocou “elevado número de vítimas fatais e feridos graves”. O comunicado destaca ainda que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas e que o Consulado-Geral do Brasil em Genebra permanece disponível para emergências.
Segundo relatos oficiais e de testemunhas, o fogo começou por volta de 1h30 (0h30 GMT) no bar “Le Constellation”, bastante frequentado por jovens e adolescentes da região. Inicialmente tratado como uma possível explosão, o incidente passou a ser investigado como um incêndio acidental, embora as causas ainda não tenham sido totalmente esclarecidas pelas autoridades suíças.
A polícia local informou que “dezenas” de pessoas são presumivelmente consideradas mortas e que cerca de 100 ficaram feridas. O Ministério das Relações Exteriores da Itália citou dados repassados por autoridades suíças que apontam aproximadamente 40 mortes, número que ainda não foi oficialmente confirmado. As autoridades da Suíça evitam divulgar um balanço definitivo enquanto o trabalho de identificação dos corpos segue em andamento.
Testemunhas relataram cenas de pânico e desespero. O morador local Samuel Rapp, de 21 anos, descreveu à Reuters o que viu após o incêndio: “Havia pessoas gritando e depois pessoas deitadas no chão, provavelmente mortas. Elas estavam com jaquetas cobrindo os rostos — bem, foi isso que eu vi, nada mais”.
Imagens exibidas por emissoras europeias mostraram um intenso movimento de ambulâncias e helicópteros, mobilizados para transportar vítimas a hospitais da região e a centros especializados em tratamento de queimaduras em outras cidades suíças. Ao todo, dez helicópteros e cerca de 40 ambulâncias foram acionados, segundo a polícia.
Duas jovens francesas que estavam no local relataram à emissora BFM TV que o incêndio teria começado no subsolo do bar, após uma garrafa com “velas de aniversário” ser erguida muito próxima ao teto de madeira. “O fogo se alastrou pelo teto muito rapidamente”, afirmou uma delas, identificada como Emma. Ela e a amiga, Albane, disseram que conseguiram escapar por uma escada estreita, pouco antes de as chamas atingirem também o térreo.
A BFM TV exibiu ainda um vídeo de uma garçonete circulando pelo bar com uma garrafa de champanhe e uma vela acesa, o que reforça o relato das sobreviventes, embora as imagens não mostrem o início do incêndio. Vídeos verificados posteriormente mostraram o fogo consumindo o prédio, enquanto pessoas do lado de fora corriam e gritavam em meio ao caos.
Autoridades confirmaram que as vítimas são de diferentes nacionalidades. O embaixador da Itália na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, afirmou à emissora Sky TG24 que informações preliminares indicam que o incêndio teria começado após alguém acionar um fogo de artifício dentro do bar, atingindo o teto. “Ele estava em Crans-Montana”, relatou a emissora, acrescentando que muitos italianos buscavam notícias de parentes e amigos desaparecidos.
Relatos de testemunhas indicam que centros de triagem improvisados foram montados em estabelecimentos próximos, como um bar vizinho e uma agência do banco UBS. “E então, ambulâncias iam e vinham o mais rápido possível”, disse Dominic Dubois, que acompanhou a retirada dos corpos. Um garçom de um restaurante da região contou que socorristas pediram toalhas de mesa para cobrir os corpos e protegê-los da curiosidade de transeuntes.
Na manhã desta quinta-feira, a área em frente ao bar permanecia isolada, com tendas forenses montadas atrás de telas brancas. Pequenos grupos de pessoas, algumas em lágrimas e outras levando flores, se reuniam em silêncio. “Conheço alguém que pode ter sido uma das vítimas e não consigo contatá-la. Estou muito preocupada”, disse a moradora Karine Spreng.
As autoridades locais reconheceram a gravidade da situação enfrentada pelas equipes de resgate. “Os primeiros a responder — os bombeiros e os policiais — chegaram a um cenário de caos, uma cena dramática”, afirmou Stephane Ganzer, chefe de segurança do cantão de Valais. Já o chefe da polícia cantonal, Frederic Gisler, declarou: “Nosso número de feridos é de cerca de 100, a maioria em estado grave, e infelizmente dezenas de pessoas são consideradas mortas”.
A promotora Beatrice Pilloud anunciou a abertura de uma investigação completa sobre o caso. “Neste momento, consideramos que se trata de um incêndio e não descartamos a possibilidade de um ataque”, afirmou. Ela destacou ainda o esforço das equipes de perícia para identificar as vítimas: “Muitos recursos foram investidos em perícia forense para identificar as vítimas. Esses recursos têm como objetivo nos permitir entregar os corpos às famílias o mais rápido possível”.
O presidente federal da Suíça, Guy Parmelin, manifestou pesar pela tragédia. “O que deveria ter sido um momento de alegria transformou-se, no primeiro dia do ano em Crans-Montana, em luto que comove todo o país e muito além”, escreveu na rede social X. Líderes de outros países, como Itália, Alemanha e Estados Unidos, também expressaram condolências, enquanto a Suíça permanece em luto e prossegue com as investigações sobre uma das maiores tragédias recentes em seu território.

