Líder iraniano desafia pressões dos EUA e homenageia legado de Khomeini
Ali Khamenei participa de cerimônia pelo 47º aniversário da Revolução Islâmica em meio a tensões com Washington
247 - No momento em que o Irã marca 47 anos da Revolução Islâmica de 1979, o líder supremo Ali Khamenei voltou a ocupar o centro da cena política ao comparecer às cerimônias oficiais no mausoléu do Aiatolá Ruhollah Khomeini, em Teerã. A presença do principal dirigente iraniano ocorreu em um contexto de fortes tensões internacionais e é uma reafirmação simbólica da continuidade do processo revolucionário e da soberania nacional do país.
Segundo a Telesur, a visita ao santuário do fundador da República Islâmica aconteceu apesar de relatos recentes sobre ameaças à segurança de Khamenei atribuídas a Washington, o que reforçou a leitura de que o ato representou uma resposta direta à retórica hostil do governo norte-americano.
O comparecimento do líder supremo ao local considerado um dos principais símbolos da Revolução Islâmica ocorreu durante as celebrações que lembram a queda da monarquia alinhada ao Ocidente e a consolidação do atual sistema político iraniano. Analistas citados pela cobertura interpretam a iniciativa como uma mensagem de que a agenda institucional do Irã não será interrompida por pressões externas ou tentativas de intimidação.
As tensões se intensificaram após a divulgação de planos dos Estados Unidos para desestabilizar a liderança política em Teerã. Em meio a esse cenário, o líder iraniano já havia afirmado que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, articula um complô contra o país. A repercussão dessas denúncias se espalhou pelo Oriente Médio, onde movimentos sociais e governos alertaram para os riscos de uma escalada que poderia comprometer ainda mais a estabilidade regional.
As cerimônias no mausoléu de Khomeini também contaram com a presença do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Ao visitar o local, ele reforçou a mensagem de unidade do Estado e afirmou, em discurso, que as tentativas de Israel e de seus aliados de explorar eventuais insatisfações internas fazem parte de estratégias de guerra híbrida destinadas a fragmentar a coesão do povo iraniano, avaliação que, segundo o governo, tem se mostrado ineficaz.
Para as autoridades de Teerã, o aniversário da Revolução Islâmica segue sendo um marco de contestação à ordem estabelecida no cenário internacional. A presença conjunta das principais lideranças no santuário de Khomeini é apresentada como uma declaração de compromisso com a autodeterminação e com a rejeição a qualquer forma de interferência estrangeira nos assuntos internos do país.
Enquanto potências ocidentais mantêm sanções econômicas e um cerco diplomático e midiático ao Irã, o governo prepara manifestações de grande porte para marcar a data histórica. As mobilizações buscam evidenciar, diante da comunidade internacional, a permanência e a relevância do modelo político iraniano quase cinco décadas após a Revolução.

