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Macron articula alternativa ao bloqueio de Trump a modelos de IA da Anthropic

Presidente francês critica medida dos EUA como "estritamente nacionalista" e busca solução

Emmanuel Macron (Foto: REUTERS/Tom Nicholson)
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247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, articulou nesta quarta-feira (17) uma iniciativa junto a líderes do G7 e executivos do setor de tecnologia para discutir alternativas ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao acesso internacional a modelos avançados de inteligência artificial. Segundo a Bloomberg, Macron se reuniu em Évian-les-Bains, na França, com representantes de algumas das principais empresas de IA do mundo, incluindo Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI.

O objetivo era defender mecanismos que permitam aos países europeus acessar tecnologias de ponta desenvolvidas pelas companhias estadunidenses. Na semana passada, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que a Anthropic suspendesse a disponibilização dos modelos Fable 5 e Mythos 5 para cidadãos estrangeiros sem autorização do Departamento de Comércio. A empresa interrompeu o acesso global às duas ferramentas.

Após os encontros, Macron classificou a medida adotada por Washington como uma abordagem "estritamente nacionalista" para o controle de sistemas avançados de inteligência artificial. "Precisamos conseguir regulamentá-los de forma mais eficaz para evitar que caiam nas mãos dos regimes autoritários atuais, que poderiam ameaçar nossa cibersegurança", afirmou o presidente francês. "Mas, para alcançar isso, a resposta não pode ser a falta de cooperação entre os países", completou.

Debate sobre cooperação internacional

Durante as discussões, Amodei e Altman defenderam iniciativas internacionais voltadas à segurança da inteligência artificial e ao compartilhamento dos benefícios proporcionados pelos modelos mais avançados.

"A questão diante de nós agora, e especialmente diante de todos vocês, é como podemos introduzir essa tecnologia no mundo de uma forma que beneficie a todos", declarou Altman. "Como podemos equilibrar a necessidade muito real de segurança com o desejo do mundo de usar e se beneficiar dessa tecnologia de maneira democrática e aberta", afirmou.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também se manifestou antes da reunião. "Espero muito que tenhamos uma coordenação intensa com o governo americano, porque o potencial dessas novas tecnologias deveria estar disponível para todos os países", disse.

Proposta de parceiros confiáveis

De acordo com um diplomata ouvido sob condição de anonimato, os debates no âmbito do G7 incluem a criação de um sistema que permita o acesso a tecnologias avançadas de IA por meio de "parceiros confiáveis".

A proposta prevê que governos e autoridades nacionais de cibersegurança avaliem previamente organizações e instituições interessadas, verificando se elas representam riscos à segurança nacional. Segundo a fonte, esse modelo também poderia envolver órgãos de ciberdefesa na validação da implementação das tecnologias.

A iniciativa surge em meio ao aumento das preocupações na Europa sobre a dependência tecnológica em relação às empresas e infraestruturas dos Estados Unidos. Paralelamente, cresce no continente a defesa de capacidades tecnológicas próprias e mais autônomas.

Macron afirmou que trabalha para construir "uma plataforma" capaz de permitir que democracias estabeleçam "padrões comuns" e compartilhem informações relacionadas à cibersegurança e aos impactos da inteligência artificial. Entre os participantes do encontro também estavam Arthur Mensch, Demis Hassabis e Marc Benioff.

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