Lula inicia agenda no G7 com reunião com Macron e descarta encontro com Trump
Presidente brasileiro discutiu defesa, inteligência artificial e cooperação bilateral com a França durante a cúpula
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta segunda-feira (15) sua agenda oficial na 52ª Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, com uma reunião bilateral com o presidente francês Emmanuel Macron. O encontro marcou o início de uma série de compromissos diplomáticos voltados ao fortalecimento das relações entre o Brasil e parceiros estratégicos da Europa.
Segundo a Folha de São Paulo, além da reunião com Macron, Lula participou de encontros paralelos à cúpula envolvendo temas como cooperação em defesa, saúde global, tecnologia e soberania digital. Ao mesmo tempo, integrantes da delegação brasileira acompanharam com cautela a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas descartaram qualquer reunião bilateral entre os dois líderes durante o evento.
Defesa, tecnologia e saúde na pauta Brasil-França
Durante a conversa entre Lula e Macron, os dois presidentes trataram de uma ampla agenda de cooperação. Entre os assuntos debatidos estiveram a parceria entre Brasil e França na área de defesa, a atuação conjunta na Unitaid — iniciativa internacional de saúde que completa 20 anos — e projetos voltados ao desenvolvimento tecnológico.
Também entrou na pauta a cooperação entre a Guiana Francesa e o estado do Amapá, considerada estratégica para a integração regional e o fortalecimento dos laços entre os dois países.
Ainda conforme a reportagem, um dos temas de maior relevância discutidos no encontro foi o projeto brasileiro para aquisição de um supercomputador de alto desempenho. A França surge como uma potencial fornecedora em uma futura licitação que deverá ser lançada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Soberania digital ganha espaço na agenda
A ampliação da capacidade computacional é vista pelo governo brasileiro como uma questão estratégica diante da crescente corrida global pelo desenvolvimento da inteligência artificial.
Nesse contexto, o acesso à infraestrutura tecnológica avançada é considerado fundamental para fortalecer a soberania digital do país, ampliar a capacidade de pesquisa científica e reduzir a dependência tecnológica externa.
Carne brasileira deve ser discutida com líderes da União Europeia
Apesar da abrangente pauta bilateral entre Lula e Macron, a questão das restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira não foi abordada durante a reunião.
De acordo com fontes do governo brasileiro citadas pela reportagem, o tema é tratado diretamente com as instituições europeias sediadas em Bruxelas e não mais por meio de negociações individuais com os países do bloco. A mudança ocorre após a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que consolidou o processo de negociação em âmbito comunitário.
A expectativa é que o assunto esteja entre os principais temas dos encontros previstos para esta terça-feira (16) entre Lula, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Questionado sobre o tema por jornalistas, Costa evitou aprofundar o assunto e afirmou apenas que a questão "é assunto da Comissão".
Lula também avançou em negociações com a Suíça
Antes de desembarcar na França para participar da cúpula do G7, Lula esteve em Genebra, onde se reuniu com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin. O encontro ocorreu a pedido do governo suíço e teve como foco principal o acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
A negociação ganha relevância porque o tratado deverá ser submetido à votação no Parlamento suíço na próxima quarta-feira (17), etapa considerada decisiva para o avanço da parceria comercial entre os países envolvidos.
Planalto afasta reunião bilateral com Donald Trump
Nos bastidores da cúpula, a participação de Donald Trump também tem sido acompanhada com atenção pela delegação brasileira. O presidente dos Estados Unidos chegou ao encontro em meio a atritos recentes com o governo francês, após ameaçar impor tarifas sobre vinhos produzidos na França.
Apesar da presença simultânea de Lula e Trump no evento, integrantes do governo brasileiro afirmam que não existe qualquer negociação para uma reunião formal entre os dois presidentes.
Segundo a avaliação do Palácio do Planalto, não há demanda de nenhuma das partes para um novo encontro bilateral e uma conversa oficial serviria apenas para reiterar posições já conhecidas pelos dois governos.
Embora Lula e Trump possam eventualmente se encontrar em alguma atividade coletiva da cúpula e trocar cumprimentos protocolares, integrantes da delegação brasileira ressaltam que isso não configuraria uma reunião oficial entre os dois chefes de Estado.



