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Ministro do Líbano afirma que país corre risco de um colapso diante das agressões israelenses

Adel Nassar disse que Israel está transformando o território libanês em uma "zona tampão" com a destruição de áreas civis

Fumaça se eleva após um ataque israelense aos subúrbios ao sul de Beirute, , no Líbano (Foto: REUTERS/Mohamed Azakir)

247 - O ministro da Justiça do Líbano, Adel Nassar, afirmou que o país enfrenta risco iminente de colapso em meio à intensificação das agressões israelenses no sul do território. Nesta segunda-feira (6), ele relatou o agravamento da crise humanitária e militar após cinco semanas de confrontos. As informações são da RFI.

"Israel já está transformando parte do sul [do Líbano] em uma espécie de zona tampão, com destruições sistemáticas de habitações e vilas. A situação é dramática", disse. O ministro também destacou o histórico de instabilidade no país e os impactos econômicos acumulados.

"É evidente que o Líbano corre o risco de um colapso e precisa do apoio da comunidade internacional", afirmou. De acordo com Nassar, países europeus, incluindo a França, têm prestado auxílio, mas o suporte ainda é insuficiente diante da dimensão da crise. Ele afirmou que um eventual acordo dependeria da retirada das tropas israelenses do sul do país. "Estamos convencidos de que o conflito deve parar", declarou.

Escalada de violência

Os confrontos se intensificaram no domingo (5), com bombardeios israelenses atingindo o sul do país e a capital, Beirute. Um ataque em frente ao principal hospital público deixou cinco mortos, incluindo dois sudaneses e uma adolescente de 15 anos, segundo o Ministério da Saúde.

Na mesma noite, outro bombardeio atingiu um apartamento na zona leste da capital, até então fora da área de combates, resultando em três mortes, entre elas um dirigente local das Forças Libanesas e sua esposa. O Exército israelense afirmou que o alvo era "terrorista".

O agravamento do conflito ocorreu após o Hezbollah lançar, em 2 de março, um ataque contra Israel, em resposta às agressões ao Irã. Desde então, os bombardeios se expandiram para diferentes regiões do Líbano, incluindo a capital. Dados oficiais indicam mais de 1.400 mortos, 4.500 feridos e mais de um milhão de deslocados.

Desarmamento e negociações

O governo libanês pretende adotar medidas para retomar o controle interno como parte de uma estratégia de negociação. Nassar afirmou que a prioridade é "restabelecer o monopólio das armas" no país. "Ou seja, vamos iniciar um processo de desarmamento do Hezbollah para abrir as negociações", declarou.

Ele acrescentou que o governo pretende responder aos ataques por meios diplomáticos. "Estamos conscientes de que, por vias militares, o resultado é a destruição do Líbano", disse.

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