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Mortes em protestos no Irã passam de 500, aponta grupo de direitos humanos

Os protestos, inicialmente motivados pela crise econômica e pela desvalorização da moeda local, ganharam contornos políticos

Protesto na rodovia Vakilabad, em Mashhad, província de Razavi Khorasan, Irã, em 10 de janeiro de 2026, nesta captura de tela obtida de um vídeo de mídia social. (Foto: Protesto na rodovia Vakilabad, em Mashhad, província de Razavi Khorasan, Irã, em 10 de janeiro de 2026, nesta captura de tela obtida de um vídeo de mídia social.)

247 - O número de mortos em decorrência das manifestações que se espalharam pelo Irã nas últimas duas semanas ultrapassou a marca de 500, segundo dados divulgados neste domingo (11) por uma organização internacional de direitos humanos. Os protestos, inicialmente motivados pela crise econômica e pela desvalorização da moeda local, ganharam contornos políticos e têm sido reprimidos com violência pelas forças de segurança.

As informações são da agência Reuters, que cita levantamento da Human Rights Activists News Agency (HRANA), grupo sediado nos Estados Unidos e especializado no monitoramento de violações de direitos humanos no Irã. O relatório é baseado em dados coletados por ativistas dentro e fora do país e permanece em constante atualização.

De acordo com a planilha mais recente divulgada pela HRANA, ao menos 490 manifestantes foram mortos durante os confrontos, além de 48 integrantes das forças de segurança. O documento aponta ainda cerca de 10 mil prisões relacionadas aos atos, número que reforça a dimensão da repressão adotada pelas autoridades iranianas.

As manifestações têm ocorrido em diversas cidades do país, incluindo Teerã e Mashhad, capital da província de Razavi Khorasan, onde vídeos divulgados nas redes sociais mostram fumaça, confrontos e a presença intensa de forças policiais e militares. O governo iraniano impôs restrições à internet em várias regiões, dificultando a 

O aumento no número de mortos intensificou a preocupação de organizações internacionais e de governos estrangeiros, que cobram transparência nas investigações e o fim do uso excessivo da força contra civis. Autoridades iranianas, por sua vez, classificam parte dos manifestantes como “agitadores” e atribuem os distúrbios à interferência externa.

No sábado, Reza Pahlavi, filho do xá do Irã deposto em 1979, publicou mais um vídeo na plataforma X conclamando o povo iraniano a uma greve geral. Segundo ele, o objetivo dos protestos seria a preparação para ocupar e manter ruas e instalações estrategicamente importantes. Ele já havia pedido anteriormente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que interviesse no Irã.

Em várias cidades iranianas, os protestos evoluíram para confrontos com a polícia e foram acompanhados por palavras de ordem contra o atual sistema político. Houve registros de vítimas também entre as forças de segurança.

Enquanto a crise se aprofunda, analistas apontam que a combinação entre dificuldades econômicas, inflação elevada e repressão política tem alimentado a insatisfação popular. A expectativa é de que os números continuem sendo revisados à medida que novas informações venham à tona, em um cenário ainda marcado por instabilidade e tensão em todo o país.

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