Mortes em protestos no Irã passam de 500, aponta grupo de direitos humanos
Os protestos, inicialmente motivados pela crise econômica e pela desvalorização da moeda local, ganharam contornos políticos
247 - O número de mortos em decorrência das manifestações que se espalharam pelo Irã nas últimas duas semanas ultrapassou a marca de 500, segundo dados divulgados neste domingo (11) por uma organização internacional de direitos humanos. Os protestos, inicialmente motivados pela crise econômica e pela desvalorização da moeda local, ganharam contornos políticos e têm sido reprimidos com violência pelas forças de segurança.
As informações são da agência Reuters, que cita levantamento da Human Rights Activists News Agency (HRANA), grupo sediado nos Estados Unidos e especializado no monitoramento de violações de direitos humanos no Irã. O relatório é baseado em dados coletados por ativistas dentro e fora do país e permanece em constante atualização.
De acordo com a planilha mais recente divulgada pela HRANA, ao menos 490 manifestantes foram mortos durante os confrontos, além de 48 integrantes das forças de segurança. O documento aponta ainda cerca de 10 mil prisões relacionadas aos atos, número que reforça a dimensão da repressão adotada pelas autoridades iranianas.
As manifestações têm ocorrido em diversas cidades do país, incluindo Teerã e Mashhad, capital da província de Razavi Khorasan, onde vídeos divulgados nas redes sociais mostram fumaça, confrontos e a presença intensa de forças policiais e militares. O governo iraniano impôs restrições à internet em várias regiões, dificultando a
O aumento no número de mortos intensificou a preocupação de organizações internacionais e de governos estrangeiros, que cobram transparência nas investigações e o fim do uso excessivo da força contra civis. Autoridades iranianas, por sua vez, classificam parte dos manifestantes como “agitadores” e atribuem os distúrbios à interferência externa.
No sábado, Reza Pahlavi, filho do xá do Irã deposto em 1979, publicou mais um vídeo na plataforma X conclamando o povo iraniano a uma greve geral. Segundo ele, o objetivo dos protestos seria a preparação para ocupar e manter ruas e instalações estrategicamente importantes. Ele já havia pedido anteriormente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que interviesse no Irã.
Em várias cidades iranianas, os protestos evoluíram para confrontos com a polícia e foram acompanhados por palavras de ordem contra o atual sistema político. Houve registros de vítimas também entre as forças de segurança.
Enquanto a crise se aprofunda, analistas apontam que a combinação entre dificuldades econômicas, inflação elevada e repressão política tem alimentado a insatisfação popular. A expectativa é de que os números continuem sendo revisados à medida que novas informações venham à tona, em um cenário ainda marcado por instabilidade e tensão em todo o país.



