Moscou registra o nível mais alto de neve em 203 anos
Janeiro de 2026 já acumula 58 cm e quase 92 mm de precipitação, sob a influência de um ciclone intenso que afeta transporte e rotina na capital russa
247 – Janeiro de 2026 entrou para a história em Moscou como o mês com o maior volume de neve dos últimos 203 anos, segundo dados do Observatório Meteorológico da Universidade Estatal de Moscou. A capital russa já acumula 58 centímetros de neve apenas neste mês, em um cenário de nevascas persistentes que têm provocado transtornos no cotidiano da população.
A informação foi divulgada na quinta-feira, 29 de janeiro, por Mikhail Lokoshchenko, chefe do observatório e pesquisador do Departamento de Meteorologia e Climatologia da Faculdade de Geografia, em relato reproduzido pela RT Brasil. Ele detalhou tanto o volume de precipitação quanto o espessamento da camada de neve, apontando que o patamar atingido é excepcional dentro da série histórica observada.
Recorde climático em janeiro de 2026
O dado mais chamativo é o acúmulo de neve na superfície, que chegou a 58 centímetros na capital. Para além da altura da camada, o observatório registrou quase 92 milímetros de precipitação até a quinta-feira, 29, um indicador que ajuda a dimensionar a intensidade do fenômeno meteorológico. De acordo com Lokoshchenko, esse total já coloca o mês em um patamar inédito na comparação com mais de dois séculos de medições.
Em declaração sobre a marca histórica, o pesquisador resumiu a excepcionalidade do quadro ao afirmar: "Esse volume já representa o valor mais alto dos últimos 203 anos". A fala reforça que não se trata apenas de um inverno rigoroso dentro do esperado, mas de um evento extremo, que se destaca estatisticamente por fugir do padrão registrado em décadas e mesmo séculos anteriores.
O avanço rápido do acumulado, ainda dentro do próprio mês, também sugere uma dinâmica de precipitação contínua e concentrada. Em termos práticos, isso significa mais neve depositada em menos tempo, pressionando serviços urbanos e exigindo respostas emergenciais, sobretudo em mobilidade, limpeza pública e segurança viária.
Ciclone intenso mantém nevascas contínuas
Segundo o relato do observatório, Moscou e a região metropolitana permanecem sob a influência de um ciclone intenso, descrito como o motor das fortes e contínuas nevascas. A persistência do sistema é um componente decisivo para explicar por que o acúmulo cresceu de forma tão expressiva ao longo do mês, mantendo a cidade em um estado prolongado de atenção.
Com a manutenção do ciclone, os episódios de neve deixam de ser eventos pontuais e passam a operar como uma sequência de frentes e precipitações recorrentes. Na prática, isso reduz janelas de estabilidade climática para que a cidade “respire” e normalize rotinas, porque a neve segue caindo e a camada existente se adensa, dificultando a remoção e ampliando riscos.
O impacto também se espalha para além do centro, alcançando a região metropolitana, onde o deslocamento diário depende de integrações e corredores viários sensíveis a gelo, baixa visibilidade e acúmulo de neve. A combinação de neve constante e temperatura típica de inverno cria um ambiente em que pequenas falhas de logística rapidamente se transformam em gargalos de grande escala.
Transporte público sob pressão e relatos de filas
As condições climáticas afetaram diretamente o transporte público, com registro de atrasos, longas filas e horas de espera para usuários. Em uma metrópole do porte de Moscou, qualquer desorganização na malha de ônibus, metrô, trens urbanos e conexões de superfície tende a se multiplicar em cascata, porque o sistema opera com alta demanda e fluxo contínuo.
Nas redes sociais, moradores relataram que os montes de neve acumulados nas ruas atingiram proporções incomuns. Um dos relatos destacados aponta que os amontoados "ultrapassam a altura de uma pessoa", o que ajuda a traduzir, em linguagem cotidiana, a escala do fenômeno que os números do observatório já indicavam.
Esse tipo de acúmulo interfere na travessia de pedestres, no acesso a pontos de ônibus e estações, na circulação de veículos de serviço e até na visibilidade em cruzamentos. Quando a neve se acumula em volumes elevados, a própria paisagem urbana se transforma, criando “paredes” temporárias que estreitam vias e aumentam o tempo de deslocamento, além de elevar o risco de escorregões e quedas.
Resposta das autoridades e limpeza das vias
Diante do volume excepcional, diversas brigadas de caminhões foram mobilizadas para a limpeza das vias. A medida busca reduzir o bloqueio de ruas, liberar corredores de transporte e mitigar o efeito dominó que o acúmulo de neve provoca sobre serviços essenciais.
Em eventos desse porte, a eficiência da resposta depende de três fatores centrais: rapidez de mobilização, escala do efetivo e continuidade do trabalho. Como o ciclone mantém nevascas recorrentes, a retirada de neve deixa de ser uma operação “de uma vez” e vira um processo quase permanente, com ciclos de remoção que precisam acompanhar a taxa de queda para evitar que a cidade fique paralisada.
A mobilização de caminhões é também um indicativo da pressão sobre a infraestrutura urbana, porque a neve removida precisa ser transportada, descartada e, em muitos casos, armazenada temporariamente. Isso impõe desafios adicionais de logística e planejamento, sobretudo quando o evento se prolonga por dias e o acúmulo volta a ocorrer pouco tempo depois.
Um marco histórico e seus efeitos imediatos
O recorde de janeiro de 2026 em Moscou se consolida, portanto, por dois indicadores convergentes informados pelo observatório: a camada de 58 centímetros e o volume de quase 92 milímetros de precipitação até 29 de janeiro. Somados à persistência do ciclone intenso, esses elementos explicam tanto a marca histórica quanto os impactos imediatos sobre deslocamento, limpeza urbana e rotina.
Ao registrar o maior volume de neve em 203 anos, a cidade enfrenta um tipo de evento que testa limites operacionais e expõe a vulnerabilidade de serviços quando o clima se mantém extremo por tempo prolongado. Na ponta, o resultado aparece nas filas, nos atrasos, nas horas de espera e na imagem simbólica de montes de neve que, segundo moradores, sinalizam uma paisagem fora do comum, com amontoados que "ultrapassam a altura de uma pessoa".
Com a continuidade das nevascas, a tendência é que os desafios urbanos persistam enquanto o sistema meteorológico seguir atuando, exigindo manutenção de equipes de limpeza, reforço da coordenação do transporte público e medidas de segurança para reduzir riscos nas ruas.


