Trump pede pausa em ataques a Kiev e Rússia aceita gesto temporário
Suspensão aérea até domingo ocorre em meio a frio extremo e pressão dos EUA por negociações diplomáticas para encerrar a guerra
247 - A Rússia concordou em atender a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para suspender temporariamente os ataques aéreos contra Kiev até domingo (1º), em razão das temperaturas extremas do inverno. A Ucrânia afirmou que está disposta a responder de forma equivalente, enquanto Washington intensifica os esforços para abrir espaço a uma solução diplomática para o conflito. A decisão ocorre num momento em que a capital ucraniana enfrenta uma nova onda de frio severo, após sucessivos bombardeios à infraestrutura energética, informa a agência Reuters.
Apesar do gesto anunciado por Moscou, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que não existe um cessar-fogo formal entre os dois países. Segundo ele, a Rússia alterou sua estratégia recente, direcionando os ataques para a infraestrutura logística ucraniana, como estradas e ferrovias, bombardeadas nos últimos dias. O Kremlin confirmou que o presidente Vladimir Putin aceitou o pedido feito por Donald Trump com o objetivo de criar “condições favoráveis” para eventuais negociações de paz.
Nas últimas semanas, ofensivas russas contra a infraestrutura energética de Kiev deixaram centenas de milhares de moradores sem aquecimento por vários dias, em meio a temperaturas que chegaram a 15 graus Celsius negativos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, detalhou o pedido feito pelo presidente dos Estados Unidos. “O presidente Trump realmente fez um pedido pessoal ao presidente Putin para que se abstivesse de atacar Kiev por uma semana, até 1º de fevereiro, a fim de criar condições favoráveis para as negociações”, afirmou, acrescentando que Putin concordou com a solicitação.
Zelensky declarou que a Ucrânia está pronta para retribuir a iniciativa, suspendendo ataques à infraestrutura de refinarias russas, mas fez questão de ressaltar que não se trata de um acordo formal. Para ele, o movimento representa “uma oportunidade, e não um acordo”. Em uma mensagem publicada no Telegram, o presidente ucraniano afirmou que não houve ataques a instalações de energia do país durante a noite e que Moscou passou a concentrar suas ações contra alvos logísticos.
Ao comentar os intensos ataques aéreos russos que atingiram Kiev neste mês e provocaram apagões em grande parte da cidade, Zelensky alertou para o desgaste das defesas aéreas do país. Ele atribuiu o problema a atrasos de aliados europeus no pagamento aos Estados Unidos dentro do programa de compra de armas PURL, o que teria impedido a entrega, a tempo, de mísseis Patriot. “Sei que mísseis balísticos (russos) estão a caminho contra a nossa infraestrutura energética... e sei que não haverá eletricidade, porque não há mísseis para os interceptar”, declarou.
As movimentações em torno de uma possível trégua no setor energético acontecem em um momento sensível do conflito, que completará quatro anos no fim do próximo mês. No campo de batalha, as tropas russas mantêm um avanço lento na região de Donetsk, no leste da Ucrânia. Paralelamente, Moscou segue lançando centenas de drones em ataques quase diários contra vilas e cidades afastadas das linhas de frente no leste e no sul do país, ampliando o impacto da guerra sobre a população civil.


