Naftali Bennett e Yair Lapid anunciam aliança contra Netanyahu nas eleições israelenses
Coalizão chamada “Together” une centro e direita e busca vitória eleitoral com discurso de unidade nacional e estabilidade política
247 - Os ex-primeiros-ministros de Israel Naftali Bennett e Yair Lapid anunciaram a formação de uma aliança política para disputar as eleições de 2026, em uma tentativa de unificar forças da oposição sob uma mesma candidatura liderada por Bennett. Batizada de “Together – liderada por Naftali Bennett”, a coalizão reúne partidos de centro e direita com o objetivo declarado de alcançar a vitória nas urnas e formar um governo considerado “forte e estável”. A informação foi divulgada pelo jornal The Times of Israel.
Em coletiva realizada na cidade costeira de Herzliya, Bennett classificou a união como “o ato mais sionista e patriótico que já fizemos, pelo bem do nosso país” e afirmou que “a era da divisão acabou”. Segundo ele, a nova aliança representa um esforço para superar a fragmentação política no país.
Bennett destacou que a proposta não se enquadra em divisões ideológicas tradicionais. “Não estamos no bloco da esquerda nem no da direita, estamos no bloco de toda a nação de Israel”, declarou. Ele também afirmou que pretende formar um governo baseado exclusivamente em partidos sionistas, sinalizando que não deve repetir alianças anteriores com partidos árabes.
Lapid, atual líder da oposição e chefe do partido Yesh Atid, afirmou que a decisão de apoiar Bennett foi tomada em nome do interesse nacional. “Estamos deixando o ego de lado e fazendo o que é certo para o Estado de Israel”, disse. Para ele, “para vencer as eleições, todo o centro israelense deve se unir atrás de Naftali Bennett”.
O ex-premiê também enfatizou os objetivos da aliança. “Estamos nos unindo hoje para vencer as eleições e estabelecer um governo sionista, forte e estável. Uma parceria entre centro e direita, entre religiosos e seculares, entre norte e sul — sem evasão do serviço militar e sem extremismo”, afirmou Lapid. Ele acrescentou que a população “merece um governo eficiente, funcional e honesto”, com foco em segurança, educação, redução de custos e combate à corrupção.
A nova frente política não representa uma fusão formal dos partidos, mas sim a criação de uma lista conjunta para o pleito previsto para outubro de 2026. Pesquisas recentes indicam equilíbrio entre o partido de Bennett e o Likud, do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com ambos disputando a liderança em número de cadeiras no Parlamento israelense .
A articulação também inclui tentativas de ampliar a coalizão. Bennett convidou publicamente o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, a integrar o bloco. “Nossa porta também está aberta para você”, afirmou. Eisenkot respondeu de forma positiva à iniciativa, destacando que o objetivo de vencer as eleições é compartilhado e prometendo atuar “de forma responsável e sábia” para alcançar “a vitória e a mudança necessárias para o Estado de Israel”.
Outros líderes políticos reagiram ao anúncio. Benny Gantz, do partido Azul e Branco, saudou a iniciativa, mas defendeu uma união ainda mais ampla entre diferentes setores da sociedade israelense. Já integrantes da coalizão governista criticaram duramente a aliança. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, acusou Bennett e Lapid de favorecer forças islamistas, afirmando que o ex-premiê “era um esquerdista radical e continuará sendo”.
Bennett e Lapid já haviam governado juntos entre 2021 e 2022, liderando uma coalizão heterogênea que incluiu partidos de direita, centro e esquerda, além da legenda árabe Ra’am. O governo marcou uma interrupção no longo período de Netanyahu no poder, mas durou pouco mais de um ano.



