"Não usem a China ou a Rússia como desculpa", diz Pequim sobre ofensiva dos EUA pela Groenlândia
Pequim afirma que Washington instrumentaliza rivais para justificar interesses estratégicos na região
247 - A China manifestou oposição à postura dos Estados Unidos no Ártico, afirmando que Washington utiliza a presença chinesa e russa como pretexto para promover seus próprios interesses estratégicos na região. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante entrevista coletiva em Pequim.
A informação foi divulgada originalmente pela agência Sputnik International, que acompanhou as declarações da diplomacia chinesa nesta segunda-feira (12). Segundo Mao Ning, o governo chinês rejeita a narrativa norte-americana e sustenta que o Ártico envolve interesses comuns da comunidade internacional, não podendo ser tratado como instrumento de disputa geopolítica unilateral.
“Não concordamos que os Estados Unidos usem a China ou a Rússia como desculpa para promover seus próprios interesses”, afirmou Mao Ning a jornalistas.
De acordo com a porta-voz, as atividades da China no Ártico estão alinhadas com o fortalecimento da paz, da estabilidade e do desenvolvimento sustentável da região, além de respeitarem plenamente o direito internacional. Ela ressaltou que Pequim atua de forma responsável e cooperativa em um espaço considerado estratégico para o equilíbrio ambiental e político global.
As declarações ocorrem em meio à intensificação das tensões diplomáticas envolvendo o Ártico e a Groenlândia. No domingo anterior, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, sugeriu que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atuasse em conjunto com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para enfrentar o que chamou de “ameaças” representadas por Rússia e China na região ártica.
O cenário ganhou ainda mais repercussão após relatos da imprensa internacional indicando que Donald Trump teria ordenado a comandantes de operações especiais dos Estados Unidos a elaboração de um plano para uma possível invasão da Groenlândia. Em entrevista recente à revista The Atlantic, Trump declarou que os Estados Unidos “absolutamente” precisam da Groenlândia, alegando que a ilha estaria “cercada por navios russos e chineses”.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu publicamente às declarações, pedindo que o atual presidente dos Estados Unidos cesse ameaças relacionadas à anexação da Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa. O episódio reforça o aumento das disputas diplomáticas e estratégicas em torno do Ártico, área cada vez mais central nas rivalidades entre grandes potências globais.

